Ataques Aéreos em Beirute Intensificam Sofrimento de Cidadãos Libaneses Deslocados

Os bombardeios aéreos israelenses sobre Beirute continuam sem sinais de trégua, com a tragédia se agravando no Líbano. Segundo o Ministério da Saúde libanês, 22 pessoas perderam a vida e outras 117 ficaram feridas em um ataque ocorrido na quinta-feira. Em meio a essa devastação, a dor dos deslocados é palpável, como relatado por Zaynab Nemr, uma jovem libanesa que teve de abandonar sua cidade natal.

"Decidir deixar nossa cidade foi uma escolha difícil", afirma Zaynab, que trabalha como assistente de pesquisa e especialista em sistemas de informações geográficas (GIS) na Universidade Americana de Beirute. "Mas sabíamos que era necessário para nossa segurança. O som da guerra nos cercava, e permanecer [na cidade de Aynata] não era mais uma opção. Os ataques aéreos israelenses eram constantes e a cidade, antes pacífica, tornou-se insegura."

Ao chegar à capital libanesa, Zaynab e sua família se deram conta de que também não estariam seguros ali. “Beirute também não era segura, pois o exército israelense destruía muitos prédios todas as noites”, relata. “Eles usavam bombas de grande poder, e talvez até urânio. Isso trouxe perigo ao ambiente e a nós, pois inalamos produtos químicos que podem conter urânio e outras substâncias tóxicas.”

O momento mais traumático que Zaynab enfrentou ocorreu há uma semana, durante uma explosão em Dahieh, próximo a Beirute. “Foi como um terremoto. Eu estava no supermercado e senti o impacto, vi a luz da explosão”, descreve. Para ela, a atual situação é ainda mais terrível que a guerra de 2006. "Agora, é muito mais horrível. As forças israelenses estão testando todos os meios contra nós. Eles experimentam tudo o que possuem e depois nos atacam com isso."

Além de enfrentar sua própria realidade, Zaynab também se dedica ao trabalho de apoio a outros deslocados em Beirute, junto à equipe da universidade. Ela explica que sua motivação vai além da simples ajuda humanitária. “O que me impulsiona a continuar é a crença de que não estamos apenas oferecendo auxílio, mas ajudando as pessoas a retomarem o controle sobre seu futuro. Meu propósito é ajudar nosso povo a recuperar sua força e autossuficiência, mesmo em meio a tantas dificuldades”, conclui.

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