Austrália Surpreende ao Doar Tanques Abrams à Ucrânia em Quantidade Superior à dos EUA

A Austrália anunciou que doará a maior parte de seus tanques M1 Abrams aposentados para a Ucrânia, superando a quantidade enviada pelos Estados Unidos a Kiev. A decisão veio após meses de solicitações ucranianas por qualquer equipamento militar que Canberra pudesse fornecer, em meio ao prolongado conflito com a Rússia.

Em 2023, os Estados Unidos entregaram 31 tanques Abrams à Ucrânia. Porém, mais da metade dessas unidades foi destruída em combates, e pelo menos um deles foi capturado e exibido em Moscou. Em um anúncio feito em Londres, o Ministro da Indústria de Defesa da Austrália, Pat Conroy, destacou o compromisso de seu país em apoiar a Ucrânia, visando "encerrar o conflito nos termos de Kiev".

A nova remessa australiana consiste em 49 dos 59 tanques M1A1 retirados de serviço em julho de 2023. Esses modelos mais antigos serão substituídos por 120 unidades M1A2, conforme um contrato firmado entre Austrália e Estados Unidos em janeiro de 2022.

O embaixador ucraniano na Austrália, Vasily Myroshnychenko, vinha pedindo a doação dos tanques desde que a aposentadoria foi anunciada. Anteriormente, a Austrália optou por sucatear sua frota de helicópteros multiuso Taipan em vez de enviá-los à Ucrânia, enquanto veículos de patrulha de longo alcance e barcos aposentados foram vendidos em leilões.

Peter Leahy, ex-general e chefe do Exército australiano entre 2002 e 2008, manifestou surpresa pela demora na decisão de enviar os tanques à Ucrânia. "Mesmo que estejam aposentados, são tanques altamente competentes, bem mantidos, com peças de reposição disponíveis, e os ucranianos estão muito interessados neles", afirmou ao Sydney Morning Herald no mês passado.

Segundo o jornal australiano, os tanques M1 Abrams, embora nunca tenham sido utilizados em combate, estavam próximos ao fim de sua vida útil. Parte dos veículos doados precisará passar por reparos antes de ser enviada à Ucrânia, enquanto outros serão desmontados para fornecimento de peças.

A Ucrânia buscou tanques de fabricação ocidental antes da ofensiva fracassada na primavera de 2023. Em resposta, Washington prometeu entregar versões mais antigas dos Abrams, numa tentativa de pressionar a Alemanha a enviar seus tanques Leopard. O Reino Unido também contribuiu com cerca de uma dúzia de veículos Challenger 2.

Contudo, os tanques ocidentais não trouxeram a mudança esperada no campo de batalha, mostrando-se vulneráveis a ataques de drones e artilharia guiada. Os veículos danificados que puderam ser resgatados precisaram ser levados à Polônia para reparos, um processo que se estendeu por semanas.

Moscou tem reiteradamente advertido os Estados Unidos e seus aliados que o envio de armamentos à Ucrânia apenas prolonga a guerra, sem alterar seu desfecho, além de aumentar o risco de um confronto direto. O Ocidente, por sua vez, mantém a posição de que fornecer bilhões de dólares em armas, munições e equipamentos a Kiev não significa um envolvimento direto no conflito.

Comentários