Biden e os Potenciais Impactos Globais no Final de Seu Mandato

Mesmo em reta final de seu mandato, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, ainda possui margem para tomar decisões que podem ter repercussões profundas, tanto no cenário internacional quanto no político interno dos EUA. De acordo com o professor Joe Siracusa, cientista político e decano de Futuros Globais da Universidade Curtin, essas ações podem ser "irreversíveis" e, assim, influenciar de forma significativa a dinâmica global e o rumo das eleições presidenciais americanas de 2024.

Siracusa destaca que, nos próximos meses, até 20 de janeiro de 2025, Biden poderia, por exemplo, incentivar o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky a buscar um acordo diplomático com a Federação Russa, abrindo espaço para uma solução negociada na guerra em curso na Ucrânia. Além disso, o presidente norte-americano poderia apoiar uma ação israelense contra o Irã, o que poderia arrastar os Estados Unidos para um conflito de dimensões imprevisíveis, possivelmente envolvendo até mesmo a Rússia.

Essas possíveis ações de Biden, além de afetarem a estabilidade global, também poderiam impactar diretamente o cenário eleitoral dos EUA, uma vez que a vice-presidente Kamala Harris é a candidata democrata na disputa pela Casa Branca. Siracusa argumenta que Harris, por sua ligação com o governo atual, terá que lidar com as consequências das decisões de Biden, o que poderia influenciar sua campanha.

O professor avalia ainda que Biden poderia autorizar a utilização de armas ofensivas americanas pela Ucrânia em ataques dentro do território russo, ou até mesmo incentivar ataques israelenses a instalações de petróleo e gás no Irã, desestabilizando ainda mais os preços globais de energia. “No que se refere à influência dos EUA sobre seus aliados, como Israel e Ucrânia, isso pode colocar os Estados Unidos em uma situação delicada a longo prazo, afetando a ordem global de forma significativa”, afirma Siracusa.

Apesar de haver tempo para criar turbulências, Siracusa é cético quanto à possibilidade de que Biden consiga alcançar um grande avanço diplomático antes do fim de seu mandato. Segundo ele, é improvável que o atual presidente busque construir um legado definitivo em política externa, dada a urgência e os desafios do momento.

Outro ponto abordado por Siracusa é a postura de Biden em relação à campanha de Kamala Harris. "Biden precisa decidir se realmente quer ajudar Kamala Harris a se tornar a próxima presidente", analisa o professor. Segundo ele, Biden estaria ressentido por ter sido "colocado de lado", especialmente após recuperar parte de sua capacidade cognitiva. A dúvida que permanece é se ele vai colaborar ativamente com a candidatura democrata ou assistir de maneira passiva a trajetória do partido nas próximas eleições.

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