Em meio à intensificação da violência em Gaza e no Líbano, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, garantiu seu apoio “inabalável” a Israel em conversa telefônica com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, informou a Casa Branca. A ligação, realizada na quarta-feira, durou 30 minutos e contou também com a presença da vice-presidente Kamala Harris, que concorre à presidência nas eleições americanas previstas para o próximo mês.
O comunicado da Casa Branca destacou que Biden reiterou seu compromisso firme com a segurança de Israel e condenou de forma veemente o ataque de mísseis balísticos realizado pelo Irã contra Israel em 1º de outubro. A porta-voz Karine Jean-Pierre descreveu a conversa como “direta” e “produtiva”.
O diálogo aconteceu enquanto Israel considera uma resposta militar contra o Irã após os ataques com mísseis direcionados a bases militares israelenses. Jean-Pierre afirmou que os líderes discutiram a escalada com o Irã, mas sem fornecer detalhes adicionais.
Os ataques iranianos, alegadamente em retaliação pela morte de Ismail Haniyeh, líder do Hamas, em Teerã, e do chefe do Hezbollah Hassan Nasrallah, assassinado junto a um general iraniano em Beirute, aumentaram as tensões na região. Em resposta, o governo dos EUA prometeu impor “consequências severas” ao Irã.
Questionado sobre a possibilidade de apoiar um ataque israelense às instalações nucleares do Irã, Biden afirmou: “A resposta é não”. Ele também sinalizou que Washington se opõe a bombardeios a campos de petróleo iranianos, ressaltando que tal ação elevaria os preços globais do petróleo, prejudicando a campanha de Harris em meio às eleições.
A administração americana tem sustentado um apoio militar e diplomático irrestrito a Israel desde o início do conflito em Gaza, uma política que Harris se comprometeu a manter. Apesar dos alertas de Washington contra uma ampliação da guerra, o governo Biden apoia a ofensiva israelense no Líbano, que já resultou em mais de 2 mil mortos e em mais de um milhão de deslocados.
Na quarta-feira, a Casa Branca enfatizou a necessidade de uma “solução diplomática” para a crise no Líbano. No entanto, um dia antes, o Departamento de Estado americano indicou que os EUA não estão mais buscando um cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah, considerando que o grupo libanês está “em desvantagem”.
O governo Biden também expressou preocupação com a situação dos civis libaneses, ecoando declarações anteriores sobre a população palestina em Gaza. Em comunicado, a Casa Branca afirmou que Biden reforçou o direito de Israel de defender seus cidadãos contra os ataques do Hezbollah, mas ressaltou a importância de minimizar o impacto sobre civis, especialmente em áreas densamente povoadas de Beirute.
Na terça-feira, Netanyahu alertou o povo libanês de que, caso não se posicionem contra o Hezbollah, enfrentarão uma “guerra longa que levará à destruição e sofrimento, como ocorre em Gaza”.
O conflito em Gaza já deixou mais de 42 mil palestinos mortos, com Israel destruindo amplas áreas residenciais e impondo severas restrições à entrada de ajuda humanitária, deixando a região à beira da fome. Matthew Miller, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, enfatizou que “não deve haver nenhuma ação militar no Líbano que se assemelhe ao que ocorre em Gaza”.
No entanto, áreas do sul e do leste do Líbano, bem como o subúrbio de Dahiyeh, em Beirute, já estão sofrendo com os intensos bombardeios israelenses.
Enquanto a ofensiva de Israel se amplia no Líbano, a campanha militar em Gaza continua, gerando críticas de ativistas de direitos humanos, que acusam Israel de realizar uma limpeza étnica ao restringir a ajuda humanitária e fechar centros de abrigo para civis no norte do território.
Na quarta-feira, Matthew Miller expressou preocupações sobre possíveis abusos em Gaza, reafirmando a obrigação de Israel, segundo o direito internacional humanitário, de permitir a entrada de alimentos, água e outras assistências necessárias em todas as áreas de Gaza.
Os Estados Unidos destinam a Israel ao menos US$ 3,8 bilhões (cerca de R$ 19 bilhões) em assistência militar anual, e a administração Biden autorizou um adicional de US$ 14 bilhões (cerca de R$ 70 bilhões) para financiar o conflito em curso.
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