A visita de Amos Hochstein, enviado especial do presidente dos EUA, Joe Biden, a Beirute para buscar uma solução diplomática no conflito entre Israel e Líbano, encontra obstáculos significativos. Segundo relatos, Israel teria enviado uma lista de exigências aos EUA como condição para encerrar suas hostilidades contra o Líbano. No entanto, especialistas consideram essas demandas impraticáveis.
De acordo com o analista Lorenzo Trombetta, baseado em Roma, é "irrealista" pensar que o Líbano cederá às exigências dos EUA e de Israel para a criação de uma zona de segurança no sul do país. "O Líbano não aceitará esses termos", afirmou Trombetta em entrevista à Sputnik. Ele ressalta que o governo libanês é composto por uma complexa coalizão de elites, incluindo o grupo Hezbollah, o que dificulta qualquer aceitação de tal proposta.
Nas próximas conversas entre Hochstein e figuras de destaque da política libanesa, como o primeiro-ministro interino Najib Mikati e o presidente do parlamento, Nabih Berri, Trombetta destaca que cada líder estará negociando em diferentes frentes. "De um lado, o Estado libanês, que rejeitará a ideia de uma zona de segurança israelense ao sul. Do outro, há interesses individuais de políticos sectários que buscam preservar seu poder e influência."
O especialista também destacou a resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU, implementada após a invasão israelense de 2006, que previa o aumento das forças de paz da UNIFIL no sul do Líbano para monitorar o cessar-fogo e apoiar as forças armadas libanesas. Contudo, Trombetta apontou a falta de credibilidade do exército libanês na aplicação efetiva da resolução.
Para Israel, as exigências são estratégicas e envolvem mais do que apenas segurança na Galileia. Trombetta argumenta que o verdadeiro objetivo israelense é obter controle sobre os recursos hídricos dos rios Litani e Awali e expandir sua influência no sul do Líbano. No entanto, essa expansão enfrenta oposição interna no Líbano.
Trombetta observa que Mikati, com fortes laços financeiros com agendas europeias e americanas, pode estar mais inclinado a negociações. Berri, por sua vez, é um aliado tático do Hezbollah, mas também tem interesse em preservar sua posição política, mesmo que isso signifique reavaliar sua aliança no futuro.
O futuro do Líbano, segundo Trombetta, depende de cenários políticos ainda indefinidos. Se o Hezbollah enfraquecer, Berri e Mikati poderão emergir como líderes na reconstrução de um novo Líbano, sem a influência do grupo militante. No entanto, se o Hezbollah mantiver seu domínio, ambos continuarão a atuar como negociadores em nome de suas próprias agendas.
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