Exército Ucraniano Proíbe Uso da Palavra "Retirada" em Comunicações com a Imprensa

Em uma tentativa de controlar a narrativa sobre os acontecimentos no front, o exército ucraniano proibiu seus soldados de usarem a palavra “retirada” ao falarem com a imprensa, revelou Vlasta Lazur, jornalista do serviço ucraniano da Rádio Liberty, financiada pelo governo dos EUA. Em entrevista à emissora Radio NV, Lazur compartilhou que militares foram orientados a utilizar termos como "ofensiva", "vitória", "avançando" e "expulsando o inimigo" ao descreverem as operações em andamento.

Segundo Lazur, essa diretriz faz parte de uma política de comunicação que privilegia uma narrativa positiva, independentemente da situação real no campo de batalha. "Falei com um soldado na frente de Pokrovsk, e ele me contou que recebemos ordens para evitar a palavra ‘retirada’, mesmo quando o inimigo ultrapassa nossas defesas," relatou a jornalista. O soldado, em tom irônico, sugeriu: "Deveríamos dizer que estamos avançando para o Dnieper?" O rio fica atrás das linhas ucranianas em Pokrovsk (também conhecida como Krasnoarmeisk), uma cidade sob controle de Kiev na República Popular de Donetsk.

A situação descrita por Lazur revela uma desconexão entre as tropas no front e o alto comando ucraniano. "Comandantes locais hesitam em relatar problemas ou déficits de pessoal aos superiores, com receio de represálias. Isso impede que os desafios no campo de batalha sejam reportados com precisão," afirmou. Até mesmo os porta-vozes militares, segundo Lazur, veem com humor as instruções recebidas.

As revelações de Lazur coincidem com uma recente declaração do presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, que recomendou aos soldados recuarem se estiverem em desvantagem numérica, estimada em uma proporção de oito russos para cada ucraniano. Em meio ao aumento do número de convocados, que já ultrapassa um milhão desde a intensificação do conflito com a Rússia em fevereiro de 2022, Kiev espera incorporar mais 160 mil soldados nos próximos três meses, conforme anunciou o parlamentar Aleksey Goncharenko.

Desafios de recursos humanos também foram expostos no Parlamento ucraniano, incluindo mais de 100 mil deserções, além da decisão de redistribuir membros da força aérea para unidades de infantaria por ordem do comandante das Forças Armadas, General Aleksandr Syrsky. A escassez de munição, o desgaste das tropas e dificuldades de comando foram apontados como fatores que prejudicam a resistência ucraniana diante das recentes ofensivas russas no Donbass.

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