O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou nesta quarta-feira que o Grupo dos Sete (G7) oferecerá à Ucrânia um empréstimo de US$ 50 bilhões, garantido por juros acumulados sobre os ativos do governo russo congelados pelos países do bloco. Dos US$ 50 bilhões, os EUA cobrirão US$ 20 bilhões, valor que será restituído através dos rendimentos desses ativos imobilizados.
Segundo Biden, esse modelo de financiamento permite que a Ucrânia receba o apoio necessário imediatamente, sem onerar os contribuintes ocidentais. "Esses empréstimos ajudarão o povo ucraniano a se defender e a reconstruir seu país. Os tiranos serão responsabilizados pelos danos que causam", afirmou o presidente americano.
Desde a invasão russa à Ucrânia em 2022, os países do G7 — Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos — impuseram duras sanções à Rússia, congelando seus ativos em instituições financeiras internacionais. A Rússia, por sua vez, classificou essas medidas como "pirataria do século XXI".
O secretário do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, reforçou que o empréstimo representa mais um golpe à Rússia. Com aproximadamente US$ 280 bilhões em ativos russos bloqueados pelo G7, o objetivo é transferir os custos da guerra ilegal à Rússia, aliviando o peso sobre os contribuintes ocidentais. Yellen destacou que a ajuda estará disponível até o final do ano e que a mensagem é clara: Putin não deve contar com o enfraquecimento do apoio ocidental à Ucrânia.
Sergii Marchenko, ministro das Finanças da Ucrânia, saudou a decisão como "tremenda" e defendeu que o próximo passo deveria ser a completa confiscação dos ativos russos. Ele agradeceu aos EUA pelo apoio contínuo, ressaltando a importância do papel de Yellen na obtenção desses recursos.
Embora os EUA sigam comprometidos com o apoio à Ucrânia, há tensões domésticas. O Congresso americano aprovou um pacote de US$ 61 bilhões no início deste ano, incluindo assistência militar à Ucrânia, Israel e Taiwan. No entanto, com a aproximação das eleições presidenciais e o crescimento das críticas republicanas, o futuro desse apoio pode ser incerto, especialmente se Donald Trump, um crítico declarado da ajuda, vencer as eleições.
A decisão de conceder o empréstimo, além de reforçar a estratégia punitiva contra a Rússia, visa também estabilizar a economia ucraniana, que depende de doações e apoio financeiro externos para sustentar sua luta e processo de reconstrução. A promessa de US$ 66 bilhões (cerca de 60 bilhões de euros) de doadores estrangeiros ao longo dos próximos anos é uma tentativa de garantir a viabilidade econômica do país a longo prazo.
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