Grupos de Patrulha Zionistas em Campi Universitários Ameaçam Liberdade de Expressão e Ações Anticoloniais

No último ano letivo, estudantes de diversas universidades da América do Norte formaram acampamentos em solidariedade a Gaza, denunciando o que consideram genocídio promovido por Israel contra os palestinos e a conivência financeira de suas instituições de ensino com essa violência. Esses protestos pacíficos, que incluíram estudantes e professores judeus antissionistas, foram amplamente noticiados e ajudaram a trazer a questão palestina para o centro do debate ocidental.

No entanto, a resposta dos apoiadores de Israel, tanto na mídia quanto na política e academia, foi rápida: acusaram os manifestantes de promover antissemitismo e intimidar estudantes judeus. Com o fim do ano acadêmico, as autoridades desmantelaram grande parte desses acampamentos, prendendo centenas de estudantes sob acusações que variaram de invasão de propriedade a crimes mais graves, como furto qualificado.

Agora, com o novo ano letivo em andamento e a continuidade das operações israelenses em Gaza, Cisjordânia e Líbano, os estudantes voltam a se mobilizar. Mas enfrentam uma nova ameaça: a presença de grupos de "autodefesa" sionistas com vínculos à extrema direita, que têm intimidado manifestantes em universidades.

Um exemplo dessa atuação é o Magen Herut Canada (Defensores da Liberdade Canadá), um grupo voluntário de vigilantes sionistas ligado ao Herut Canada, que, por sua vez, tem laços com o partido de extrema direita Likud, liderado pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. O grupo defende uma visão de um "Grande Israel", promovendo um projeto colonialista de expansão. Eles se autodenominam protetores dos estudantes judeus contra o suposto antissemitismo dos manifestantes.

Com cerca de 50 membros, o Magen Herut coordena suas ações via WhatsApp, realizando patrulhas em até 15 zonas, incluindo campi universitários e eventos de apoio à causa palestina, onde buscam intimidar os presentes. Em suas patrulhas, os integrantes usam camisetas pretas identificando-se como parte da "Equipe de Vigilância" do Magen Herut e são liderados por Aaron Hadida, um especialista em segurança que ensina "autodefesa judaica", incluindo o uso de armas de fogo. O grupo colabora estreitamente com a J-Force, uma empresa privada de segurança que atua em eventos pró-Israel.

A J-Force, que fornece "segurança em protestos" para apoiadores de Israel, destaca voluntários equipados com trajes táticos para monitorar eventos pró-Palestina. A expectativa é que ambas as organizações mantenham uma presença ativa nos campi ao longo de todo o ano acadêmico, ampliando suas operações para os Estados Unidos.

Outro grupo que vem marcando presença em eventos pró-palestinos é a Jewish Defense League (JDL), classificada pelo Southern Poverty Law Center como um grupo de ódio e considerada uma organização terrorista de direita pelo FBI desde 2001. A JDL, que estava inativa até 7 de outubro, tem sido vista em manifestações na Universidade de Toronto, onde alguns de seus membros exibem bandeiras e símbolos de grupos extremistas como o Kahane Chai, que defende a expulsão forçada de árabes de Israel.

Segundo o jornal israelense Haaretz, em uma marcha pró-Palestina na Universidade de Toronto, no dia 6 de setembro, contra-manifestantes com bandeiras da JDL e do Kahane Chai gritavam palavras de ódio contra muçulmanos e palestinos, incluindo frases como “Vamos transformar Gaza em um estacionamento”. A JDL tem um histórico de violência e terrorismo, incluindo bombardeios nos EUA e o assassinato de ativistas árabes-americanos.

A presença desses grupos uniformizados em campi universitários traz consigo táticas de intimidação usadas historicamente para reprimir a resistência anticolonial na Palestina. Agora, essas mesmas estratégias são aplicadas em solo norte-americano, onde universidades tornaram-se centros de resistência antissionista e de alianças entre movimentos anticoloniais.

O objetivo desses grupos sionistas é claro: desmantelar e desacreditar a resistência contra o supremacismo branco, que inclui o sionismo, além de apoiar projetos de expansão imperialista ocidental liderados pelos EUA e Israel. Para desviar a atenção de seus vínculos com a extrema direita, os vigilantes sionistas se apresentam de forma dissimulada como forças de "autodefesa" judaica, enquanto seus atos revelam uma agenda de agressão.

A ideia de "autodefesa" difere radicalmente entre colonizados e colonizadores. Para os primeiros, está ligada à identidade cultural e à defesa de terras e recursos ancestrais. Já para os colonizadores, a defesa está centrada na proteção de territórios usurpados e na repressão à resistência. A milícia sionista Haganah, precursora das Forças de Defesa de Israel (IDF), exemplifica essa lógica ao utilizar o termo “defesa” para justificar a expropriação de terras palestinas e a expulsão de seus habitantes.

Grupos como a JDL reproduzem essa retórica, usando a bandeira da “autodefesa” para legitimar suas ações de violência e opressão. Eles buscam impor uma narrativa que os coloca como vítimas, enquanto marginalizam os verdadeiros resistentes ao colonialismo. No entanto, a resistência anticolonial, tanto na América do Norte quanto globalmente, se fortalece ao reconhecer que a opressão supremacista branca é sustentada por racismo sistêmico, islamofobia, antissemitismo e imperialismo.

Esse movimento anticolonial desafia estruturas racistas e capitalistas, e vê o sionismo como um projeto colonial europeu, análogo a outros ideais de destino manifesto que serviram de base para empreendimentos coloniais ocidentais. Independentemente do resultado das próximas eleições nos EUA, a ascensão do supremacismo branco, da islamofobia e do antissemitismo ameaça a estabilidade social, desviando o foco dos riscos apresentados pela presença crescente desses grupos sionistas violentos.

A resistência a esses grupos requer que todos, incluindo judeus, se posicionem contra o etnocentrismo e a exclusão. A história de sofrimento e perseguição da comunidade judaica deve servir de inspiração para a busca por justiça, liberdade e igualdade para todos, rejeitando qualquer forma de violência promovida por vigilantes sionistas.

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