Moscou afirma que OTAN se prepara para conflito com a Rússia

O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Aleksandr Grushko, acusou a OTAN de se preparar abertamente para um possível confronto militar com seu país. As declarações de Grushko destacam os exercícios Steadfast Defender deste ano, as maiores manobras da aliança desde o fim da Guerra Fria, como um indicativo desse movimento. A expansão da OTAN para o leste, liderada pelos EUA, tem sido vista por Moscou como uma ameaça direta à sua segurança, especialmente após promessas feitas à União Soviética em 1990, de que essa expansão não ocorreria.

Grushko afirmou à agência RIA Novosti que "representantes da OTAN não escondem mais que estão se preparando para um possível embate armado com a Rússia". Ele mencionou que a aliança militar aprovou planos de defesa regionais e formulou tarefas específicas para as estruturas de comando militar. Além disso, alternativas para ações militares contra a Rússia estariam sendo constantemente analisadas.

Um exemplo apontado por Grushko é o exercício Steadfast Defender, realizado entre janeiro e maio deste ano. Ele ressaltou que, pela primeira vez, o inimigo não era um país fictício, mas sim a própria Rússia. Embora a OTAN não tenha nomeado diretamente a Rússia em seus comunicados sobre os exercícios, descreveu a preparação como voltada para um possível conflito com um "adversário de igual porte". Documentos estratégicos da OTAN identificam a Rússia como a principal ameaça à segurança do bloco.

As manobras, realizadas próximas às fronteiras ocidentais da Rússia, contaram com cerca de 90 mil militares de todos os 32 países-membros da aliança. Grushko também destacou que os orçamentos militares dos países ocidentais estão sendo fortalecidos e que suas economias estão sendo direcionadas para uma postura militarizada. Ele enfatizou que "não foi a Rússia, mas a aliança do Atlântico Norte que escolheu o caminho da confrontação" ao rejeitar um diálogo com Moscou, atribuindo à OTAN a responsabilidade por uma "grave crise de segurança na Europa".

Recentemente, o jornal alemão Die Welt, com base em um documento confidencial de planejamento da OTAN, revelou que a aliança está se preparando para aumentar significativamente suas unidades de combate e defesa aérea em resposta a um possível confronto com a Rússia.

Nos últimos meses, alguns países membros da OTAN expressaram preocupações sobre supostas intenções da Rússia de atacar a aliança. No entanto, em uma declaração durante o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo em junho, o presidente russo, Vladimir Putin, classificou essas alegações como "absurdas" e "bobagens". Em setembro, no entanto, Putin alertou que, caso os aliados ocidentais de Kiev permitam o uso de mísseis contra alvos dentro do território russo, isso representaria uma "participação direta dos países da OTAN, dos EUA e da Europa, no conflito na Ucrânia".

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