O presidente russo, Vladimir Putin, sugeriu a criação de uma bolsa de grãos no âmbito do BRICS, durante seu discurso na cúpula anual do grupo realizada nesta quarta-feira em Kazan. A proposta visa proteger as transações comerciais entre os países membros contra a volatilidade excessiva dos preços e interferências externas.
Segundo Putin, "vários países do BRICS estão entre os maiores produtores mundiais de grãos, vegetais e oleaginosas. Propomos a criação de uma bolsa de grãos do BRICS, que ajudará na formação de indicadores de preços justos e previsíveis para esses produtos, considerando seu papel crucial na segurança alimentar".
O presidente russo destacou que a iniciativa busca proteger os mercados nacionais contra "interferências externas negativas, especulações e tentativas de causar um déficit artificial" de mercadorias. A criação dessa plataforma também fortaleceria as relações econômicas entre os membros do BRICS, e, no futuro, poderia se transformar em um mercado de commodities completo.
A ideia foi inicialmente levantada pelo chefe da União de Exportadores de Grãos da Rússia, Eduard Zernin, durante uma reunião com Putin no início do ano. Desde então, a proposta recebeu apoio do presidente russo, que expressou confiança de que outros países do grupo se interessariam pela criação da bolsa.
Além de promover um mercado mais justo, a bolsa de grãos do BRICS permitiria que os países membros comercializassem diretamente entre si, reduzindo a dependência de sistemas de precificação dominados pelo Ocidente, como os das bolsas de Chicago e Paris, que atualmente definem os preços de referência.
A Rússia, maior exportadora de trigo do mundo, aumentou consideravelmente suas exportações nos últimos anos, graças a safras abundantes e preços competitivos, apesar das sanções ocidentais que tentam limitar seu comércio internacional. Moscou também tem fornecido grãos gratuitamente a várias nações africanas que enfrentam insegurança alimentar.
Os membros atuais do BRICS incluem Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Irã, Egito, Etiópia e Emirados Árabes Unidos. Mais de 30 países já solicitaram adesão ao bloco, que representa cerca de 46% da população mundial e mais de 36% do PIB global.
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