O ministro das Relações Exteriores da Hungria, Peter Szijjarto, revelou que a maioria dos países da OTAN se opõe à adesão da Ucrânia à aliança, opinião expressa em discussões reservadas. A afirmação foi feita em uma coletiva de imprensa após o encontro do Comitê Econômico Conjunto Húngaro-Sérvio, onde Szijjarto relatou ter discutido a questão com o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, durante uma visita deste a Budapeste.
Segundo Szijjarto, que recebeu Sybiha em 30 de setembro, ele teria deixado claro que "não há oportunidade" para que a Ucrânia se torne um membro da OTAN no momento. O ministro húngaro destacou que, embora Sybiha possa estar recebendo mensagens otimistas de outros representantes da aliança, "a maioria" dos membros compartilha a posição contrária à adesão ucraniana quando as portas estão fechadas.
A visita de Sybiha a Budapeste marcou a primeira vez, em quatro anos e meio, que um ministro das Relações Exteriores ucraniano viajou à Hungria, simbolizando um esforço de diálogo entre os dois países. No entanto, as palavras de Szijjarto revelam um cenário de divergência interna dentro da OTAN sobre o papel da Ucrânia na aliança militar.
Enquanto isso, o novo Secretário-Geral da OTAN, Mark Rutte, fez uma visita não anunciada a Kiev em 3 de outubro. Durante o encontro, Rutte afirmou que "a Ucrânia está mais próxima da OTAN do que nunca" e garantiu que seguirá trabalhando para que o país eventualmente se torne um membro da aliança. Apesar do tom otimista, ele evitou indicar uma data precisa para esse objetivo, sugerindo que o processo ainda enfrenta obstáculos consideráveis.
A perspectiva de uma adesão ucraniana à OTAN é vista de forma crítica por Moscou. O presidente russo, Vladimir Putin, reiterou que a expansão da OTAN para incluir a Ucrânia representa uma ameaça direta à segurança nacional da Rússia. Para o Kremlin, é fundamental que a Ucrânia mantenha um status de não-alinhamento militar como condição para alcançar um possível fim do conflito em curso.
As declarações de Szijjarto e de outros líderes refletem a complexidade do cenário geopolítico europeu, onde o equilíbrio entre segurança regional e alianças estratégicas se mostra frágil. A tensão entre a promessa de apoio a Kiev e a resistência interna à sua adesão à OTAN evidencia um jogo diplomático delicado, onde cada passo é calculado em meio a pressões e interesses divergentes.
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