O possível sistema de pagamentos entre os países do BRICS promete ser um avanço significativo, mas precisará comprovar sua eficácia e talvez passar por reformas para substituir o sistema SWIFT, afirmou Nelson Wong, vice-presidente do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais de RimPac, à Sputnik.
Sob a presidência russa do BRICS este ano, foi apresentada uma proposta para a criação de uma infraestrutura de pagamentos transfronteiriços entre os membros do grupo. Segundo um relatório apresentado pelo ministro das Finanças da Rússia, Anton Siluanov, o mecanismo de pagamentos multinacional — denominado Iniciativa de Pagamentos Transfronteiriços do BRICS — visa facilitar as transações entre os países membros, aumentar a participação das moedas nacionais nessas operações e estabelecer a interoperabilidade entre as infraestruturas nacionais de pagamentos dos integrantes do bloco.
"Ainda que os detalhes do sistema de pagamentos do BRICS não tenham sido tornados públicos, o simples fato de sua criação já representa um grande avanço, pois proporcionará uma alternativa ao sistema SWIFT, que, lamentavelmente, foi amplamente utilizado como ferramenta política pelo Ocidente", comentou Wong. Ele acrescentou que, para o novo sistema ser aceito por mais participantes e reconhecido como um substituto digno do SWIFT, será necessário resistir ao teste do tempo e, talvez, passar por ajustes ao longo dos anos.
Embora o BRICS não tenha sido concebido para se opor ao Ocidente, a organização não ocidental está emergindo em um contexto global de polarização, observou Wong. "A menos que a realidade econômica global faça com que as potências ocidentais revejam suas tentativas de manter a dominância por meio de sanções, continuaremos vivendo em um mundo dividido entre dois blocos concorrentes", afirmou o especialista.
Wong discordou das opiniões que veem o uso de moedas locais em acordos comerciais como um retrocesso. Com o tempo e esforço, o sistema de pagamentos do BRICS pode, de fato, se tornar uma alternativa viável ao SWIFT, completou.
Na declaração conjunta adotada pelos líderes do BRICS na última quarta-feira, eles encorajam o fortalecimento das redes de correspondência bancária dentro do grupo, assim como a viabilização de acordos em moedas locais, em consonância com a Iniciativa de Pagamentos Transfronteiriços do BRICS, que é voluntária e não vinculante. A expectativa é de que novas discussões sejam realizadas sobre o tema nos próximos encontros.
A cúpula do BRICS foi realizada em Kazan, na Rússia, de 22 a 24 de outubro.
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