Teerã adverte Israel com promessas de retaliação ainda mais intensa

O Irã elevou o tom de sua retórica contra Israel, com o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmando que qualquer ataque israelense ao território iraniano será respondido com uma retaliação mais severa do que a anterior. Em visita a Beirute, na última sexta-feira, Araghchi reforçou o apoio de Teerã ao cessar-fogo entre Israel e o Líbano, mas condicionou essa trégua a uma paralisação simultânea dos combates na Faixa de Gaza.

A escalada de tensão entre os dois países já havia se intensificado na última terça-feira, quando o Irã lançou mísseis contra Israel, em retaliação pela morte de importantes figuras ligadas ao Hezbollah, ao Hamas e à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC), incluindo o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah. A visita de Araghchi a Beirute ocorreu em um momento crítico, quando ataques de ambos os lados ameaçam transformar o conflito em uma guerra de larga escala.

“O regime sionista precisa entender que qualquer passo contra nós será seguido por uma resposta mais dura e decisiva”, disse Araghchi após se reunir com Nabih Berri, presidente do Parlamento do Líbano. “Nossa resposta será proporcional e respeitará os princípios de autodefesa consagrados na Carta das Nações Unidas”, completou ele, defendendo os ataques iranianos como uma ação legítima.

Cessar-fogo condicional

Durante sua visita, o ministro iraniano destacou que o Irã apoia um cessar-fogo no Líbano, desde que seja simultâneo a uma trégua em Gaza e que os direitos do povo libanês sejam respeitados. “Estamos comprometidos com a paz, mas a resistência [do Hezbollah] deve aprovar qualquer cessar-fogo, e ele só será possível se ocorrer também em Gaza”, afirmou.

Os bombardeios israelenses em áreas densamente povoadas do sul de Beirute continuaram na sexta-feira, intensificando-se desde a quinta, quando ataques aéreos atingiram diversas áreas da capital. Testemunhas descreveram as explosões como as mais violentas desde o início do conflito, com ao menos 11 bombardeios consecutivos que devastaram bairros e enviaram colunas de fumaça ao céu.

Ataques a infraestruturas estratégicas

Israel também bloqueou a principal passagem fronteiriça entre o Líbano e a Síria, alegando que o Hezbollah estaria utilizando a rota para transportar equipamentos militares. Isso prejudicou, sobretudo, os refugiados sírios que tentavam fugir dos bombardeios israelenses.

Enquanto isso, no sul do Líbano, tropas israelenses enfrentam militantes do Hezbollah em combates intensos desde que atravessaram a fronteira. Israel afirma ter matado 250 combatentes do Hezbollah, mas o grupo libanês não confirma esse número e também alega ter causado baixas entre os soldados israelenses.

Em Teerã, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, liderou as orações de sexta-feira e elogiou os recentes ataques com mísseis contra Israel, enfatizando que o país está pronto para mais ofensivas caso necessário. Autoridades iranianas, como Ali Fadavi, vice-comandante da IRGC, ecoaram essa ameaça, declarando que o Irã tem a capacidade de atacar simultaneamente todas as principais fontes de energia de Israel, incluindo refinarias e centrais elétricas.

“O regime sionista está vulnerável. Podemos atingir suas principais infraestruturas a qualquer momento”, declarou Fadavi, citado pela agência Mehr.

Escalada contínua

Israel, por sua vez, promete continuar com suas operações militares. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o ministro da Defesa, Yoav Gallant, afirmaram que o exército tem “mais surpresas” à disposição. Gallant declarou que as forças armadas continuarão a operação até “a remoção completa dos meios de combate” do Hezbollah.

A evacuação de cidades e vilarejos no sul do Líbano, ordenada por Israel, se estendeu para além da zona de segurança estabelecida pela ONU após a guerra de 2006, entre Israel e o Hezbollah. As tensões continuam a escalar, enquanto ambos os lados trocam ataques e ameaças.

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