Trump enfrenta nova onda de críticas após classificar polêmica manifestação em Nova York como "festival de amor"
Donald Trump, candidato à presidência dos Estados Unidos, gerou mais indignação ao descrever um polêmico comício realizado no Madison Square Garden como um "evento lindo" e um "absoluto festival de amor". O encontro de domingo foi marcado por comentários sexistas e racistas, incluindo piadas de Tony Hinchcliffe, comediante que fez referências depreciativas a Porto Rico, chamando a ilha de "lixeira flutuante".
Trump, em uma entrevista coletiva em seu resort Mar-a-Lago, na Flórida, defendeu o comício, afirmando que foi uma manifestação de carinho nunca antes vista, apesar de uma onda de críticas nas redes sociais vinda de democratas, celebridades porto-riquenhas e até mesmo de alguns republicanos. Ignorando o clamor público e comparações com eventos nazistas de 1939, o ex-presidente não fez qualquer pedido de desculpas pelos comentários de Hinchcliffe.
“A sala estava cheia de amor. O amor naquele lugar foi de tirar o fôlego”, declarou Trump. “Políticos com décadas de experiência disseram que nunca houve um evento tão bonito”, acrescentou, descrevendo-o como “um festival de amor”.
No entanto, para muitos, o sentimento não foi recíproco. A repórter política da CNN, Dana Bash, ironizou: "Havia muito amor, mas só por Trump".
A organização Lincoln Project, conhecida por sua oposição a Trump, criticou duramente o candidato e pediu aos eleitores que rejeitem suas pretensões políticas. "Sem explicação, sem desculpas", escreveram no X, antigo Twitter. “Ele é um lixo, joguem-no no lixo da história.”
Os comentários de Trump ecoam sua tentativa de minimizar a gravidade de outros eventos controversos. Em 6 de janeiro de 2021, quando apoiadores invadiram o Capitólio, ele descreveu o episódio violento como um “dia de amor”.
Insultos e Repercussão entre Porto-Riquenhos
O comício em Nova York contou com mais de 30 palestrantes, que atacaram negros, latinos e democratas com insultos. O ex-âncora da Fox News, Tucker Carlson, zombou da herança birracial da vice-presidente Kamala Harris, enquanto outro orador a chamou de "diabo" e "anticristo".
O impacto mais forte veio da comunidade porto-riquenha, especialmente da Pensilvânia, onde cerca de 500 mil porto-riquenhos vivem, um estado chave nas eleições.
Angel M. Cintron, presidente do Partido Republicano em Porto Rico, disse que, sem um pedido de desculpas de Trump, a ilha não votaria nele. Já o cantor porto-riquenho Bad Bunny fez sua própria crítica, postando um vídeo em tributo a seu país, intitulado "lixo" no Instagram, onde tem mais de 45 milhões de seguidores.
Divisões na Comunidade Porto-Riquenha
Ainda assim, nem todos os porto-riquenhos se sentiram ofendidos. Zoraida Buxo, senadora sombra dos EUA por Porto Rico, apoiou Trump e participaria de um comício dele na Pensilvânia, onde reforçou seu apoio ao candidato, classificando-o como o “líder forte” de que Porto Rico precisa.
A campanha de Trump tentou se distanciar dos comentários de Hinchcliffe. Daniella Alvarez, porta-voz do comitê de campanha, afirmou que a piada “não reflete as opiniões do presidente ou de sua campanha”.
Trump Mantém Foco na Imigração e Segurança
Durante sua coletiva, Trump não apenas minimizou as críticas, mas também intensificou ataques à administração de sua oponente, Kamala Harris, acusando-a de promover uma “campanha de ódio absoluto”. Ele culpou Harris e o presidente Joe Biden por desestabilizar a economia e enfraquecer as fronteiras dos EUA.
Repetindo promessas de campanha, Trump falou em aumentar tarifas, eliminar impostos sobre a previdência social e aplicar pena de morte para imigrantes envolvidos em assassinatos. Ele também prometeu confiscar os bens de gangues e cartéis de drogas para compensar as vítimas de crimes cometidos por imigrantes.
A Importância da Pensilvânia e o Impacto Eleitoral
A Pensilvânia, um dos estados mais disputados nas eleições, pode ser decisiva. Segundo analistas, a perda de votos de porto-riquenhos, motivada pela polêmica recente, pode ter um impacto significativo. Steve Herman, correspondente da Voice of America, afirmou que mesmo uma pequena quantidade de votos pode alterar o resultado final no estado.
Com a eleição se aproximando, Harris também se prepara para fazer seu argumento final aos eleitores. Hoje, ela discursará perto da Casa Branca e do Monumento a Washington, locais que simbolizam, para muitos, o ataque ao Capitólio incentivado por Trump em 2021. Segundo sua equipe de campanha, Harris não se concentrará no tumulto de 6 de janeiro, mas falará sobre seu plano de governo e o impacto positivo que busca promover.
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