Zelensky busca apoio europeu para plano de vitória e enfrenta desafios domésticos com novos impostos
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky está em uma intensa missão pela Europa, visando assegurar apoio militar e financeiro para seu ambicioso "plano de vitória" contra a Rússia. A jornada começou em Londres, onde ele se encontrou com o primeiro-ministro britânico Keir Starmer e o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, com o objetivo de fortalecer as garantias de segurança e garantir o fornecimento de armamentos estratégicos.
Zelensky descreveu o "plano de vitória" como um apelo aos aliados para reforçar a Ucrânia em termos de garantias de segurança, armamentos e na construção de um futuro pós-guerra. Antes do encontro, Starmer destacou que a reunião seria uma oportunidade para detalhar o plano, que inclui a busca por apoio militar contínuo e assistência financeira robusta.
O presidente ucraniano havia planejado apresentar o plano em uma reunião de alto nível do Grupo de Contato de Defesa da Ucrânia, na Alemanha. No entanto, o encontro foi adiado após o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, cancelar sua visita para lidar com a situação do furacão Milton.
O esforço diplomático de Zelensky ocorre em meio a um cenário de guerra prolongada, que tem esgotado os recursos financeiros da Ucrânia. Na quinta-feira, o parlamento ucraniano aprovou uma série de aumentos de impostos para arrecadar aproximadamente 12 bilhões de dólares (cerca de R$ 60 bilhões) até o final de 2024, valor destinado ao fortalecimento da defesa nacional. A medida foi aprovada por 247 dos 450 deputados da Verkhovna Rada, de acordo com Yaroslav Zhelezniak, parlamentar do partido Holos.
As novas taxas incluem o aumento do imposto de guerra de 1,5% para 5% sobre a renda dos cidadãos, além de impostos mais altos para empreendedores individuais e pequenos negócios, um imposto de 50% sobre os lucros dos bancos e uma alíquota de 25% sobre os lucros de empresas financeiras.
Busca por equilíbrio e apoio
Zelensky reconhece que, para mudar o rumo do conflito, a Ucrânia precisa de um apoio mais substancial. A guerra, que já dura mais de dois anos, segue sem uma perspectiva clara de fim, com as forças russas controlando dezenas de pequenas cidades no leste disputado. A expectativa de Zelensky é que mais ajuda dos aliados permita à Ucrânia equilibrar as forças e obter avanços decisivos no campo de batalha.
Entre os principais aliados, o Reino Unido se destaca pelo comprometimento em fornecer 3 bilhões de libras (cerca de R$ 18,7 bilhões) em ajuda militar anualmente, enquanto necessário. No entanto, o cenário de apoio dos Estados Unidos permanece incerto, devido às eleições presidenciais de novembro.
Um relatório do Instituto Kiel, da Alemanha, alertou que a ajuda militar e financeira ocidental à Ucrânia pode cair para cerca de 29 bilhões de euros (R$ 150 bilhões) em 2025, caso o candidato republicano Donald Trump vença as eleições nos Estados Unidos.
Como parte de seu plano, Zelensky também busca autorização para utilizar armamentos de longo alcance fornecidos pelos aliados, como os mísseis Storm Shadow britânicos, visando atingir alvos militares dentro da Rússia. No entanto, os Estados Unidos demonstram receio de que tal ação possa intensificar ainda mais o conflito.
Após sua passagem por Londres, o presidente ucraniano seguirá para Paris, onde se reunirá com o presidente francês Emmanuel Macron, e para Roma, onde encontrará a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni. Além disso, ele tem uma audiência agendada com o Papa Francisco no Vaticano e se reunirá com o chanceler alemão Olaf Scholz em Berlim, conforme informado por uma porta-voz do governo alemão.
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