Canadá reduzirá imigração em 21% até 2027

O governo canadense anunciou uma drástica mudança em sua política migratória, que prevê uma redução significativa no número de novos residentes permanentes admitidos no país nos próximos anos. A nova estratégia, divulgada pelo ministro da Imigração, Marc Miller, visa limitar o número de imigrantes a 1,1 milhão entre 2025 e 2027, representando uma queda de 21% em relação aos anos anteriores.

A medida, que também reduz o número de residentes temporários em 30 mil, reflete uma tentativa do governo de enfrentar a crescente insatisfação popular, especialmente às vésperas das eleições federais previstas para 2025. Desde o auge da pandemia de COVID-19, o Canadá havia facilitado a entrada de trabalhadores e estudantes para preencher lacunas no mercado de trabalho, resultando em um rápido aumento populacional. Agora, com a economia em fase de recuperação, o governo busca "pausar o crescimento populacional" e reavaliar suas metas de longo prazo, segundo a declaração oficial.

Marc Miller reconheceu que, embora o país ainda precise de imigrantes, houve uma falta de equilíbrio nas políticas adotadas. A declaração do primeiro-ministro Justin Trudeau reforça esse ponto, ao admitir que "não acertamos na medida certa", indicando que a pressão sobre habitação, infraestrutura e serviços sociais impulsionou a revisão da política.

Entre as novas metas, o Canadá planeja receber 395 mil novos residentes permanentes em 2025, 380 mil em 2026 e 365 mil em 2027. Estes números contrastam fortemente com os 485 mil previstos para 2024. A mudança ocorre em meio a um cenário político desfavorável para o governo de Trudeau, que enfrenta críticas crescentes da oposição conservadora, que culpa a imigração pelo aumento dos preços de moradia e por sobrecarregar os serviços públicos.

A imigração tem sido um tema central no debate político canadense, e a nova política já provoca reações intensas. Defensores dos direitos dos imigrantes veem a decisão como um ataque direto aos migrantes. Syed Hussan, porta-voz da Rede de Direitos dos Migrantes, classificou o corte no número de residentes permanentes como "um dos mais graves retrocessos nos direitos dos migrantes na história do Canadá", alegando que muitos serão forçados a permanecer em situação temporária ou indocumentada, sujeitos a condições de trabalho exploratórias.

O governo argumenta que as mudanças são necessárias para permitir que as províncias e territórios se ajustem e alinhem suas capacidades de acolhimento. O Canadá, conhecido mundialmente por sua política acolhedora em relação aos imigrantes, agora se encontra diante de uma complexa equação entre crescimento populacional e sustentabilidade econômica, especialmente com o aumento da demanda por moradia e a alta dos juros nos últimos dois anos.

O impacto da nova política também se refletirá nas projeções demográficas. A expectativa é que a população canadense diminua ligeiramente, em 0,2%, tanto em 2025 quanto em 2026, antes de voltar a crescer 0,8% em 2027. Ainda assim, críticos apontam que as reformas não abordam adequadamente as necessidades econômicas a longo prazo, especialmente diante da iminente escassez de mão de obra qualificada.

Enquanto o Canadá se prepara para sediar uma cúpula global sobre imigração, marcada para o próximo mês em São Francisco, os desafios para equilibrar os benefícios econômicos da imigração com as pressões sociais e políticas continuam a definir a pauta nacional.

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