Comissão do Vaticano Exige Compensação para Vítimas de Abuso Sexual

A Pontifícia Comissão para a Proteção de Menores, vinculada ao Papa Francisco, fez duras críticas à forma como a Igreja Católica tem lidado com casos de má conduta de clérigos. O grupo pediu maior transparência do Vaticano nos processos de abuso sexual, além de desculpas públicas e compensações financeiras para as vítimas, na tentativa de lidar com a crise que abala a Igreja há décadas.

Em seu primeiro relatório anual, divulgado na terça-feira, a comissão ressaltou a necessidade de que as vítimas de abuso clerical tenham mais acesso às informações de seus casos e que uma política clara de compensação seja implementada. Segundo o documento, a lentidão e o sigilo na condução desses casos continuam a traumatizar as vítimas, alimentando a desconfiança entre os fiéis, especialmente a comunidade de sobreviventes.

O relatório também destacou que "os processos civis e canônicos podem ser difíceis, lentos e até uma fonte de revitimização". A comissão defendeu que as vítimas devem ter direito à reparação financeira e que é crucial que sejam devidamente ouvidas, acompanhadas e amparadas.

Além disso, foram apresentadas recomendações globais para a proteção de menores, com destaque para a falta de progressos consistentes em várias regiões do mundo. A comissão alertou que, em algumas sociedades, o abuso clerical ainda não é amplamente discutido, com proteções insuficientes em partes da América Central e do Sul, África e Ásia. A proposta inclui a criação de um defensor especial no Vaticano para atender às necessidades das vítimas.

A Igreja Católica Romana vem sendo abalada por escândalos de abuso sexual em várias partes do mundo há décadas. Em 2023, um estudo realizado na Suíça revelou mais de 1.000 casos de abuso sexual por padres e outros membros da Igreja desde meados do século XX. Em 2021, um relatório da Comissão Independente sobre Abuso Sexual na Igreja (CIASE) revelou que até 330 mil crianças podem ter sido abusadas por clérigos e leigos na França entre 1950 e 2020.

O Papa Francisco criou a comissão em 2014, um ano após sua eleição, e em 2019 suspendeu a regra de 'segredo pontifício' em casos de abuso sexual de menores. No entanto, críticos apontam que as descobertas da comissão ainda são limitadas em sua abrangência. Anne Barrett Boyle, representante de um grupo que monitora abusadores, afirmou à Associated Press que "o único teste que importa é se os bispos estão removendo os abusadores", criticando o relatório por não medir essa questão diretamente.

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