Compromissos climáticos atuais estão longe de metas de 2030, alerta ONU

Os compromissos globais de corte de emissões estão muito aquém do necessário para evitar um aquecimento global catastrófico, segundo alerta da ONU antes das próximas negociações climáticas. De acordo com a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), as promessas atuais resultariam em uma redução de apenas 2,6% nas emissões até 2030, valor bem abaixo dos 43% exigidos pelos cientistas para manter o limite de aquecimento de 1,5 graus Celsius, estabelecido pelo Acordo de Paris de 2015.

Esses dados foram divulgados no mais recente relatório da UNFCCC, que destacou o aumento marginal em relação aos 2% de corte prometidos no ano passado. O secretário-executivo da entidade, Simon Stiell, enfatizou que essas metas insuficientes podem ter consequências devastadoras para economias e populações ao redor do mundo. “Os planos climáticos nacionais atuais estão a anos-luz de impedir que o aquecimento global prejudique todas as economias e destrua bilhões de vidas e meios de subsistência em todos os países”, alertou Stiell.

As nações têm até fevereiro do próximo ano para apresentar novas e mais ambiciosas contribuições nacionalmente determinadas (NDCs, na sigla em inglês), e o relatório sugere que esse prazo deve ser um ponto de virada na luta contra a mudança climática. As próximas negociações climáticas, a COP29, ocorrerão na capital do Azerbaijão, Baku, em duas semanas, e reunirão cerca de 200 países para discutir um novo sistema global de comércio de emissões, além de um pacote financeiro de US$ 100 bilhões anuais para ajudar nações em desenvolvimento a atingirem suas metas climáticas.

Pablo Vieira, diretor global da Parceria NDC, afirmou que em alguns casos o processo de revisão das NDCs pode ser utilizado como uma ferramenta de barganha. “O que estamos vendo é que, em alguns casos, o processo NDC pode estar sendo usado como um mecanismo de negociação – mais dinheiro em troca de mais ambição”, disse Vieira. Ele também destacou a importância de garantir que as novas NDCs sejam investíveis, atraindo tanto financiamento público quanto privado.

Acúmulo de gases do efeito estufa em ritmo alarmante

Em outro relatório publicado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), foi ressaltado que os gases de efeito estufa estão se acumulando na atmosfera em um ritmo sem precedentes nos últimos 20 anos. A concentração de dióxido de carbono (CO2) subiu 11,4% em apenas duas décadas, enquanto os níveis de metano aumentaram 165% desde 1750.

A OMM também destacou que o aumento de CO2 no ano passado foi o segundo maior da última década, possivelmente impulsionado pelo agravamento dos incêndios florestais, especialmente no Canadá, cuja temporada de queimadas foi a pior já registrada, liberando mais carbono do que as emissões anuais de muitos países desenvolvidos.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) reforçou o alerta ao destacar a disparidade entre o que os países prometeram e o que realmente é necessário para cumprir as metas climáticas. Segundo a OMM, o aumento dos gases de efeito estufa deve ser tratado com urgência, já que cada fração de grau a mais no aquecimento global tem impactos tangíveis na vida humana e no meio ambiente. "Esses números são mais do que estatísticas. Cada parte por milhão de CO2 e cada fração de grau no aumento da temperatura têm um impacto real em nossas vidas e em nosso planeta", afirmou Celeste Saulo, secretária-geral da OMM.

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