Rejeição aos Democratas Pró-Israel Reflete Insatisfação com a Guerra em Gaza e Líbano
Em um comício em Dearborn, Michigan, cidade de maioria árabe, a reação à vitória de Donald Trump na Pensilvânia e a confirmação de seu segundo mandato não gerou surpresa entre os presentes. Bandeiras palestinas e libanesas decoravam o local enquanto ativistas, descontentes com o apoio incondicional do governo norte-americano a Israel, expressavam sua indignação.
Para muitos árabes americanos, as políticas da vice-presidente Kamala Harris, que continua defendendo o "direito de defesa de Israel" apesar dos ataques a Gaza e ao Líbano, aprofundaram a alienação. Adam Abusalah, ativista local, atribuiu parte da derrota de Harris em Dearborn à sua aproximação com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. “Avisamos os democratas há mais de um ano”, afirmou, destacando a insensibilidade do partido às preocupações da comunidade.
Nas urnas, a cidade refletiu sua insatisfação. Trump superou Harris por mais de 2.600 votos, enquanto Jill Stein, candidata do Partido Verde e crítica da guerra, viu seu apoio crescer. Em contraste, a congressista Rashida Tlaib, que abertamente defende os direitos palestinos, recebeu 9.600 votos a mais que Harris em Dearborn, segundo Hussein Dabajeh, consultor político libanês-americano. “Nos posicionamos contra candidatos que ignoraram nossa causa,” afirmou Dabajeh.
O Papel do Trumpismo na Comunidade Árabe
Durante sua campanha, Trump buscou apoio entre árabes e muçulmanos, prometendo trazer “paz” à região. Embora seus históricos comentários anti-islâmicos ainda sejam lembrados, ele suavizou o tom ao incluir líderes árabes em eventos de Michigan e visitar Dearborn para ouvir pedidos por paz. "Apesar de suas falhas, ele representa uma mudança", afirmou Ali Alfarjalla, corretor de imóveis e morador da região.
Para a comunidade árabe, o fim do apoio incondicional a Israel e a autonomia palestina são prioridades, ressaltou Alfarjalla. Ele destacou que o esforço político da comunidade continua: “Nosso compromisso é pressionar por mudanças, independentemente de quem está no poder.”
Erro de Estratégia de Harris
Durante a Convenção Nacional Democrata em Chicago, a equipe de Harris recusou um pedido para permitir um discurso de um representante palestino e optou por não se reunir com a “Uncommitted Movement”, grupo que pressiona por uma posição mais crítica dos EUA em relação a Israel. A vice-presidente também se associou a Liz Cheney, republicana notória pelo apoio às políticas do pai, o ex-presidente Dick Cheney, que articulou a chamada “Guerra ao Terror”, lembrada por devastar o Oriente Médio.
“Não votaremos em alguém que ignora nossas preocupações fundamentais”, declarou Mustapha Hammoud, vereador de Dearborn, referindo-se ao apoio de Harris aos Cheneys. No último comício da candidata em Michigan, em Flint, apenas líderes muçulmanos selecionados pela campanha foram convidados, o que reforçou o afastamento da comunidade.
Frustração e Esperança por Mudanças
A retórica de Harris sobre “segurança nacional” e sua falta de comprometimento com políticas que pudessem atender as demandas da comunidade árabe contribuíram para a sua derrota. “A sobrevivência da comunidade árabe-americana, mesmo sob Trump, demonstra sua resiliência,” disse Dabajeh.
Quando questionado sobre ataques de eleitores liberais culpando os árabes pela derrota de Harris, Alfarjalla foi direto: “Sobrevivemos a guerras e adversidades, então isso não nos preocupa. Apenas sorrio e sigo em frente.”
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