Cuba volta a ficar sem energia após furacão Rafael atingir a ilha

O furacão Rafael provocou uma nova onda de escuridão em Cuba, deixando toda a ilha sem energia pela segunda vez em duas semanas. O fenômeno atingiu intensamente as terras agrícolas do oeste cubano, devastando plantações e derrubando árvores e linhas de transmissão.

Na manhã de quinta-feira, informações sobre os estragos ainda eram limitadas. O furacão Rafael, classificado como categoria 3, já havia perdido força ao seguir em direção ao Golfo do México, segundo o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos. Os meteorologistas alertaram que os ventos de até 185 km/h do furacão poderiam provocar inundações e ondas perigosas, agravadas pela vulnerabilidade da infraestrutura cubana, carente de manutenção adequada.

Em Havana, capital de Cuba, moradores começaram a avaliar os danos e encontraram as ruas relativamente secas, já que o furacão passou a cerca de 60 km a oeste da cidade, atingindo áreas reconhecidas pelo cultivo de tabaco nas províncias de Artemisa e Pinar del Río. O ministro da Agricultura, Ydael Pérez Brito, informou que agricultores locais tomaram medidas para proteger 8 mil toneladas de folhas de tabaco e outras culturas de frutas e vegetais que estavam prestes a ser colhidas.

Na quinta-feira, as ruas de Havana estavam praticamente desertas. A maioria das empresas e escolas não abriu, e o transporte público estava sendo retomado de forma gradual.

A sensação de déjà vu entre a população é forte. Em uma resposta oficial, o governo de Miguel Díaz-Canel informou que mobilizou as Forças Armadas para apoiar na recuperação. "Foram tomadas medidas para proteger nosso povo e recursos materiais. Como sempre fizemos desde a Revolução, vamos superar esta situação", declarou o presidente cubano.

Ainda assim, a confiança no governo é baixa. Muitos cubanos duvidam da capacidade da administração de prover serviços essenciais, como alimentação e eletricidade, diante de uma economia fragilizada e das difíceis relações com os Estados Unidos. Além disso, a ajuda de países aliados, como a Venezuela, está limitada devido às crises internas desses parceiros.

Para Marta León Castro, de 57 anos, a situação é desesperadora. "Estou sem teto. O telhado foi embora, e não sei o que vou fazer", disse ela à agência AFP. Na vizinhança de Marta, pelo menos cinco famílias perderam total ou parcialmente suas casas. Outro morador, o tradutor profissional Giovanny Fardales, lamentou: "Com a falta de energia, toda a carne de frango e porco que comprei vai estragar na geladeira".

Há apenas duas semanas, Cuba já havia enfrentado um apagão de grandes proporções, fruto de falhas em suas antigas usinas termelétricas a óleo, seguido pelo furacão Oscar, que atingiu a ilha poucos dias depois, causando destruição e deixando seis mortos na região leste do país. Na ocasião, o apagão durou quatro dias.

A temporada de furacões tem sido especialmente intensa este ano. Rafael é a 17ª tempestade nomeada e o oitavo furacão de categoria 3 ou superior a se formar em novembro nos últimos 60 anos. A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos previu que a temporada de 2024 seria mais ativa que o normal, com até 25 tempestades nomeadas e quatro furacões de grande intensidade.

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