Dominação do Dólar: Analista Aponta Queda Iminente com União de Potências Emergentes

As reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial começaram em Washington, com foco na crescente crise da dívida global e na tentativa de manter a ordem financeira internacional liderada pelos EUA. Um analista sugere que a dominação do dólar, no entanto, pode estar em risco, desde que potências emergentes unam esforços para criar uma alternativa sólida.

Os Estados Unidos detêm mais de um terço dos astronômicos US$ 100 trilhões em dívida pública mundial. Com uma dívida de US$ 35,75 trilhões e subindo, o país enfrenta um futuro econômico incerto. Sua participação no PIB global, em paridade de poder de compra (PPC), caiu para menos de 15% — a menor desde a Grande Depressão dos anos 1930, uma queda significativa em comparação aos 50% observados em meados dos anos 1940, quando o sistema de Bretton Woods foi criado.

Segundo Chintamani Mahapatra, fundador do Instituto Kalinga de Estudos do Indo-Pacífico, diversos países estão buscando alternativas para fazer negócios fora da arquitetura financeira dominada pelos EUA. "Eles estão cansados de aceitar as imposições dos Estados Unidos, especialmente em transações com nações sob sanções americanas", afirma o especialista.

Embora o yuan chinês esteja em ascensão, Mahapatra observa que ainda há um longo caminho para que se torne uma moeda internacional confiável. Instituições como FMI, Banco Mundial e OMC farão de tudo para garantir que os EUA e seus aliados continuem no controle do ecossistema financeiro global.

Contudo, a criação de um sistema financeiro alternativo global é vista como um passo fundamental para desafiar essa hegemonia. Mahapatra salienta que a "desdolarização" é complexa e requer que as economias emergentes superem divergências políticas e de segurança antes de conceber uma nova ordem baseada em equidade.

Enquanto isso, a economia dos EUA, mesmo com a gigantesca dívida pública, continua a se beneficiar da atual guerra na Europa e das tensões no Oriente Médio. "Esperar que outras economias superem os EUA no curto prazo não é realista", alerta Mahapatra.

O analista também aponta para os perigos da manutenção da hegemonia do dólar, já que o crescimento da dívida americana pode ter sérias repercussões na economia global. "Embora a dívida pública dos EUA seja enorme, o país ainda pode imprimir dólares, o que o protege de impactos imediatos. No entanto, qualquer declínio ou turbulência na economia dos EUA traria consequências para o mundo", disse ele.

O controle dos EUA sobre o sistema financeiro global, graças à força de sua moeda, limita alternativas como a troca de moedas ou o comércio baseado em escambo. No entanto, as experiências da Rússia desde 2014 — e especialmente após as mais de 20.000 sanções impostas pelo Ocidente a partir de 2022 — demonstraram que grandes economias têm capacidade de romper o bloqueio financeiro imposto pelo dólar.

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