Escândalo 'BibiLeaks' expõe vazamento de documento confidencial sobre Gaza

Em uma reviravolta política e de segurança, a justiça israelense confirmou a acusação contra Eliezer Feldstein, porta-voz do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, por seu papel no vazamento de um documento confidencial manipulado relacionado ao conflito em Gaza. A divulgação, que teria ocorrido em setembro, buscava alegadamente convencer o público de que os protestos contra o governo fortaleciam o Hamas.

O documento, que teve origem no sistema de inteligência das Forças de Defesa de Israel (IDF), foi primeiro oferecido à mídia local, mas barrado pelas rigorosas leis de censura militar. Em seguida, foi vazado à imprensa internacional, culminando na publicação de uma reportagem no jornal alemão Bild. A matéria afirmava que o Hamas manipulava a comunidade internacional, torturava psicologicamente famílias de reféns e utilizava negociações prolongadas como tática para se rearmar. No entanto, fontes militares israelenses desmentiram o conteúdo, afirmando que não havia menção a tais estratégias nos planos do Hamas.

A investigação revelou que o documento foi inicialmente retirado ilegalmente por um suboficial de reserva, que o entregou a Feldstein em abril. Feldstein, por sua vez, tentou disseminar o material com o objetivo de moldar a opinião pública em relação às negociações de reféns e protestos internos.

De acordo com documentos judiciais divulgados no domingo, as ações de Feldstein e de um cúmplice colocaram em risco objetivos estratégicos da guerra, incluindo a libertação de reféns e operações da inteligência israelense contra o Hamas. A acusação detalha uma “cadeia de vazamentos” envolvendo militares na ativa, reservistas e o próprio porta-voz do governo.

O escândalo, apelidado de "BibiLeaks", chega em um momento delicado para Netanyahu, que enfrenta protestos contra a demissão de seu ministro da Defesa e investigações sobre corrupção adiadas devido ao agravamento dos conflitos em Gaza e no Líbano. Analistas indicam que o caso pode aprofundar o desgaste político do primeiro-ministro.

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