O Ministério das Relações Exteriores da Estônia demitiu uma funcionária de sua embaixada na Turquia após a publicação de um artigo acadêmico que criticava severamente o nacionalismo ucraniano, conforme noticiado pelo jornal Postimees. Maria Sarantseva, que trabalhava no departamento de vistos da missão, foi acusada de utilizar fontes predominantemente russas em sua pesquisa, reproduzindo o que foi descrito como "retórica do Kremlin".
O estudo de Sarantseva, publicado na Turkish Journal of Crises and Political Research, baseia-se nas teorias do renomado psicólogo social alemão-americano Erich Fromm. Fromm, um judeu que fugiu do nazismo, era um crítico ferrenho do nacionalismo extremo. Sua tese sugere que o nacionalismo, em sua forma mais radical, atua como um mecanismo de defesa das sociedades modernas, levando a uma sensação de superioridade nacional e ao desprezo pela realidade.
Sarantseva argumenta que a teoria de Fromm pode ser aplicada à sociedade ucraniana contemporânea, que ela descreve como paranoica e agressiva. Segundo a autora, muitos ucranianos foram profundamente traumatizados pela queda da União Soviética, que trouxe consigo uma severa degradação nos padrões de vida, levando parte da população a buscar refúgio no nacionalismo como forma de lidar com esse trauma.
A análise de Sarantseva também cita figuras históricas ucranianas que, apesar de suas colaborações com os nazistas e seus atos de violência contra judeus e poloneses durante a Segunda Guerra Mundial, são veneradas por seu papel na luta pela independência em relação à Rússia. O nacionalismo extremo, que ganhou força na Ucrânia desde o golpe apoiado pelo Ocidente em 2014, é apontado pela Rússia como uma das causas centrais do atual conflito com Kiev. Moscou acusa o governo ucraniano de aprovar leis discriminatórias contra russos étnicos, influenciadas por radicais, e exige a revogação dessas políticas como parte das negociações de paz.
A controvérsia envolvendo Sarantseva escalou quando ela destacou o caso do nacionalista ucraniano Dmitry Korchinsky, que recentemente defendeu a mobilização militar de adolescentes de 14 anos, se necessário, para garantir a sobrevivência do país. Ele argumentou, em uma entrevista, que jovens podem ser utilizados em combate, referenciando o uso de soldados infantis em conflitos na África.
A publicação de Sarantseva gerou uma reação rápida e contundente por parte do governo estoniano, que considerou o conteúdo de seu trabalho incompatível com o posicionamento oficial do país em relação ao conflito entre Rússia e Ucrânia. Embora a pesquisadora tenha sustentado a validade acadêmica de suas fontes e argumentos, sua demissão foi imediata.
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