EUA e Reino Unido intensificam bombardeios no Iêmen em meio a resistência crescente dos Houthis no Mar Vermelho

Os Estados Unidos e o Reino Unido ampliaram sua campanha aérea contra o porto iemenita de Hudaydah, um ponto crucial sob o controle dos Houthis desde 2021. A ofensiva, que começou em janeiro deste ano, visa minar as capacidades militares do grupo rebelde, que bloqueou a navegação comercial israelense no Mar Vermelho através de ataques de drones, mísseis e ações de sequestro de embarcações. Na última quinta-feira, a coalizão lançou um novo ataque na área de al-Hawak, próxima à Universidade de Hudaydah, mas detalhes sobre danos ou possíveis vítimas não foram divulgados.

Moradores relataram uma “explosão enorme” à agência de notícias Xinhua, da China, pouco antes do amanhecer, enquanto observadores internacionais notaram um aumento nas operações após o lançamento, pelos Houthis, de um míssil hipersônico, o “Palestina-2”, em direção a uma base militar israelense próxima a Tel Aviv. As forças de coalizão, incluindo Israel, já realizaram ao menos dois ataques aéreos adicionais, focados no aeroporto de Hudaydah, em uma tentativa de conter as crescentes ofensivas dos Houthis. Esses ataques ocorrem em resposta à utilização de novas armas pelo grupo, incluindo drones submersíveis apelidados de Al-Qaria ("A Grande Calamidade"), que recentemente atingiram a zona industrial de Ashkelon, em Israel.

Hudaydah, cidade portuária vital para o Iêmen, historicamente funciona como principal porta de entrada para 70% a 80% da ajuda humanitária enviada ao país devastado pela guerra. Além de bens essenciais, o porto também recebe combustível e alimentos, sendo todas as cargas inspecionadas pela ONU para evitar que armamentos cheguem ao território Houthi. Contudo, ataques frequentes danificaram infraestrutura essencial, incluindo guindastes portuários, uma estação de energia e depósitos de petróleo. Em um ataque israelense em julho, 14 pessoas morreram e mais de 90 ficaram feridas após um drone dos Houthis atingir Tel Aviv.

Próximo de completar um ano, a campanha dos Houthis na tentativa de barrar a influência de Israel e seus aliados no Mar Vermelho segue firme, desafiando a Operação Prosperity Guardian, liderada pelos EUA, que já investiu mais de US$ 2,5 bilhões (cerca de R$ 12,5 bilhões) no conflito. A resistência dos Houthis, que intensificaram o uso de armamento avançado, representa uma crescente ameaça. Em junho, um projétil disparado pelos rebeldes se aproximou a apenas 200 metros do superporta-aviões USS Eisenhower, revelando a proximidade do risco.

A situação de segurança instável fez com que a Alemanha redirecionasse a rota de dois de seus navios de guerra para evitarem o Mar Vermelho em sua viagem de retorno à Europa, optando por contornar o Cabo da Boa Esperança. Entre as potências envolvidas, as manobras indicam que a resistência Houthi exige uma reavaliação das estratégias de segurança na região.

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