John Shipton, ativista australiano e pai de Julian Assange, fundador do WikiLeaks, compartilhou em uma entrevista à Sputnik suas opiniões sobre temas globais cruciais, como a ascensão gradual do BRICS, as revoluções coloridas apoiadas pelo Ocidente e a crise na Ucrânia.
Segundo Shipton, os Estados Unidos perderam a capacidade de construir algo por conta própria e agora apenas interferem no desenvolvimento de outras nações. "Durante toda a minha vida, os EUA sempre adotaram posições extremas. Corporações com poder desmedido, turbulência e riqueza descomunal. Talvez o novo presidente possa reformar o país, mas será uma tarefa monstruosa", afirmou, ao comentar sobre as eleições presidenciais dos EUA.
O ativista ressaltou que, após o furacão Katrina, ficou claro que "os EUA perderam a capacidade de se ajudar". "O império americano só exerce poder de forma negativa, sem construir, apenas impedindo o progresso de outras nações, utilizando revoluções coloridas e outras táticas desse tipo", completou.
Shipton também destacou que o governo ucraniano está à beira de um colapso, alertando que a situação pode sair do controle dos EUA. "Vi Israel atacar o Irã na noite passada, e o governo ucraniano está vacilando, podendo cair a qualquer momento. Basta um sopro de vento mais forte para eles se renderem", comentou.
Putin se Levanta em Defesa de Assange
O ativista expressou gratidão ao presidente russo Vladimir Putin, por ter sido o primeiro líder mundial a defender Assange como jornalista e editor. "Em 2012, quando Julian estava sendo difamado, Putin foi o primeiro a defender seus interesses. Sou grato por isso", afirmou Shipton.
Em junho, Assange, cidadão australiano, foi libertado de uma prisão britânica após fechar um acordo com os Estados Unidos, onde enfrentava acusações sob a Lei de Espionagem por divulgar informações confidenciais. O WikiLeaks, fundado por Assange em 2006, ganhou notoriedade em 2010 ao publicar vazamentos em grande escala, incluindo documentos do governo dos EUA.
Tentativas de Revoluções Coloridas à Vista
Shipton prevê novas tentativas de revoluções coloridas até o final de 2024. "A importância do fluxo de informações nas sociedades é inegável. E creio que veremos mais tentativas de revoluções coloridas até o fim do ano", afirmou.
Ele também comentou sobre os desafios econômicos enfrentados por países como Austrália, França, Alemanha, Japão e Finlândia. De acordo com Shipton, essas nações estão enfrentando dificuldades comerciais, exacerbadas pela política dos EUA de priorizar seus próprios interesses em detrimento dos de outros países. Ele ressaltou que a Finlândia está "quebrando" após cortar laços com a Rússia.
Shipton mencionou que as revoluções coloridas estão sendo fomentadas em ex-repúblicas soviéticas, como Cazaquistão, Geórgia, Ucrânia e Bielorrússia. Em abril, o presidente russo Vladimir Putin afirmou que as relações entre Rússia e EUA, fundamentais para a segurança global, estão em crise profunda, alimentada pelo apoio de Washington às revoluções coloridas, especialmente na Ucrânia.
Novo Centro de Gravidade Global
O ativista destacou que o centro de gravidade mundial se moveu em direção ao BRICS, organização que lidera em termos econômicos, demográficos e culturais. Na semana passada, Shipton participou da cúpula do BRICS em Kazan, onde foram apresentados os resultados da presidência russa da organização em 2024. Ele elogiou a habilidade de Rússia, China e Índia em unir suas culturas antigas e distintas para formar o BRICS, criando um bloco de poder não-ocidental. "O centro de gravidade mundial está agora nos centros demográficos, econômicos e culturais do BRICS", concluiu.
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