Os Estados Unidos estão considerando impor novas restrições à China com o objetivo de limitar o desenvolvimento de tecnologias avançadas de inteligência artificial pelo país asiático. A informação foi divulgada pela Bloomberg nesta quinta-feira, destacando que as medidas podem ser anunciadas já na próxima semana.
Essas ações, parte de uma disputa comercial prolongada entre as duas maiores economias do mundo, foram elaboradas após meses de deliberação por autoridades americanas e intensa pressão de fabricantes de semicondutores locais. Segundo a Bloomberg, as sanções podem atingir dezenas de empresas chinesas envolvidas na fabricação de chips e equipamentos para semicondutores, incluindo fábricas ligadas à gigante tecnológica Huawei.
O governo chinês, por sua vez, prometeu reagir caso a administração Biden leve adiante as novas restrições. O porta-voz do Ministério do Comércio da China, He Yadong, acusou os EUA de prejudicarem gravemente a ordem econômica e comercial internacional e o setor global de semicondutores. “Se os Estados Unidos insistirem em escalar as medidas de controle, a China tomará ações necessárias para proteger resolutamente os direitos legítimos de suas empresas”, afirmou em uma coletiva de imprensa.
A escalada nas restrições faz parte de uma competição crescente entre os dois países em setores tecnológicos estratégicos, como a fabricação de semicondutores. Desde 2019, quando Donald Trump ainda era presidente, os EUA têm endurecido as regras de exportação de componentes e tecnologias essenciais para empresas chinesas, citando questões de segurança nacional. Durante seu mandato, Trump proibiu seis empresas chinesas de atuarem com companhias americanas e, em 2020, impôs sanções à Semiconductor Manufacturing International Corp (SMIC), maior fabricante de chips da China.
Em 2022, o escopo das restrições foi ampliado para incluir todas as fábricas estatais de microchips chinesas e impedir o acesso a chips produzidos em qualquer parte do mundo que utilizem tecnologia americana. Além disso, tarifas significativas foram aplicadas a uma ampla gama de produtos chineses, desde carros elétricos e painéis solares até aço e alumínio.
A China também adotou contramedidas em 2023, restringindo a exportação de minerais e terras raras críticos para várias indústrias, incluindo a de defesa. Pequim critica reiteradamente as restrições impostas pelos EUA, alegando que violam as normas do mercado globalmente reconhecidas.
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