Forças Ocidentais Impõem Agenda Verde a Países em Desenvolvimento para Benefícios Políticos e Econômicos

A Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP29) de 2024 anunciou um acordo para o mercado de créditos de carbono liderado pela ONU, estabelecendo normas para a comercialização de permissões de emissões de carbono. A iniciativa, apresentada como um avanço contra as mudanças climáticas, enfrenta resistência em alguns setores. Segundo críticos, o Ocidente estaria usando a “agenda verde” para atender a interesses econômicos e estratégicos próprios.

O presidente russo, Vladimir Putin, é um dos principais críticos, acusando os países ocidentais de aplicar uma agenda ecológica sobre a Rússia como forma de neocolonialismo. Para ele, nações que há muito poluem o planeta tentam agora impor restrições ambientais que lhes favorecem politicamente. Essa visão é compartilhada por Come Carpentier de Gourdon, analista geopolítico e editor da revista World Affairs, que observou que países em desenvolvimento estão sob pressão crescente para reduzir suas emissões.

De Gourdon destaca que, embora os cortes de emissões pareçam lógicos em teoria, são frequentemente utilizados para conter o crescimento econômico de países que precisam melhorar o padrão de vida de suas populações. Ele argumenta que algumas tecnologias, como energias renováveis, são impostas a esses países sem considerar sua viabilidade prática e econômica. “Energia solar e eólica, por exemplo, não garantem um fornecimento confiável em países populosos, além de exigirem uma infraestrutura complexa e que nem sempre é benéfica para o meio ambiente”, explica.

Outro ponto de crítica é a falta de alternativas viáveis para que países em desenvolvimento possam aderir a essa agenda ambiental. “O Ocidente promove, por exemplo, os veículos elétricos, mas eles são caros e difíceis de manter, especialmente onde a produção de eletricidade ainda depende de combustíveis fósseis, gerando mais demandas ao sistema energético local”, observa de Gourdon.

Ao mesmo tempo, alguns países ocidentais parecem recuar em sua transição ambiental, alarmados com os altos custos econômicos. “Na Alemanha e até na França, há debates sobre a reativação de usinas nucleares e térmicas a carvão, refletindo uma percepção de que a transição verde traz desafios financeiros inesperados”, afirma de Gourdon.

Além disso, o analista questiona o discurso que relaciona exclusivamente as mudanças climáticas às atividades humanas, ressaltando que essas variações ocorrem naturalmente e em ciclos. Ele sugere que o grupo BRICS explore alternativas para estimular a geração e distribuição autônoma de energia nos países em desenvolvimento, promovendo uma produção energética independente e sustentável.

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