Hezbollah intensifica ataques a Israel enquanto negociações de cessar-fogo enfrentam impasse

O Hezbollah lançou 340 mísseis contra Israel, intensificando os ataques após um bombardeio israelense em Beirute que deixou 29 mortos e 66 feridos. Entre os alvos, destacaram-se a base naval de Ashdod, no sul de Israel, e um “alvo militar” em Tel Aviv, usando mísseis avançados e drones de ataque. O exército israelense relatou o disparo de 250 projéteis do Líbano, muitos interceptados, e alertas de ataque aéreo foram registrados no norte e centro do país.

Pelo menos 11 pessoas ficaram feridas em Israel, incluindo uma em estado grave. O governo libanês condenou o ataque a Beirute como uma afronta aos esforços liderados pelos Estados Unidos para alcançar um cessar-fogo. O primeiro-ministro interino do Líbano, Najib Mikati, classificou a ação como uma “mensagem sangrenta” contra as negociações em andamento.

Josep Borrell, chefe de diplomacia da União Europeia, pediu um cessar-fogo imediato e a aplicação integral da Resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU. Segundo ele, o acordo em discussão prevê a retirada de combatentes do Hezbollah e tropas israelenses do sul do Líbano, substituídos por forças armadas libanesas e tropas de paz da ONU. A UE se comprometeu a destinar 200 milhões de euros (cerca de R$ 1,1 bilhão) para fortalecer as operações militares do Líbano na região.

Os confrontos já deslocaram 1,2 milhão de libaneses e causaram mais de 3.500 mortes no Líbano, de acordo com o Ministério da Saúde local. No lado israelense, 90 soldados e 50 civis perderam a vida, enquanto 60 mil israelenses foram obrigados a abandonar suas casas no norte do país.

Paralelamente, ataques aéreos israelenses mataram um soldado libanês e feriram 18 outros em Amriyeh. Desde o início da ofensiva, o exército libanês afirma ter perdido mais de 40 militares, embora tenha se mantido amplamente neutro no conflito entre Israel e Hezbollah.

O agravamento do cenário ocorre após mais de um ano de hostilidades limitadas na fronteira, com o Hezbollah declarando apoio ao Hamas em Gaza. A escalada começou em setembro, quando Israel intensificou os bombardeios e enviou tropas terrestres ao sul do Líbano.

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