Líbano denuncia ataques de Israel com "pagers explosivos" à OIT

O Líbano apresentou uma queixa formal contra Israel junto à Organização Internacional do Trabalho (OIT), denunciando uma série de ataques com dispositivos de comunicação explosivos que causaram milhares de vítimas civis no país. A denúncia, encaminhada pelo Ministro do Trabalho libanês, Mustafa Bayram, foi protocolada na sede da OIT em Genebra, Suíça, na terça-feira. Bayram afirmou que os ataques representam “uma guerra atroz contra a humanidade, contra a tecnologia e contra o direito ao trabalho.”

Os incidentes, ocorridos em 23 de setembro, foram atribuídos a Israel e teriam como alvo o grupo armado Hezbollah, que utilizava os pagers para comunicação interna. Segundo Bayram, “é amplamente aceito internacionalmente que Israel está por trás desse ato bárbaro”, ainda que Israel não tenha confirmado nem negado a autoria.

Bayram destacou que a explosão dos pagers causou danos extensos à população civil: “Mais de 4 mil civis foram vitimados entre mortos, feridos e mutilados em questão de minutos”, afirmou ele, apontando para o uso de objetos cotidianos como armas mortais. A queixa levanta questões sobre segurança no trabalho, destacando que muitos dos feridos estavam em horário laboral.

Desrespeito aos princípios de trabalho decente

Durante uma coletiva em Genebra, Bayram explicou por que optou pela OIT para a denúncia, ressaltando que os trabalhadores libaneses afetados estavam expostos a um ambiente de trabalho perigoso. “Consideramos necessário denunciar esses ataques por violarem princípios de segurança no trabalho e condições decentes, que são defendidos pela OIT,” declarou. Ele acrescentou que outras organizações internacionais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC), também poderiam ser acionadas para investigar os ataques.

O ataque aos dispositivos de comunicação marca uma escalada nas hostilidades entre Israel e o Líbano, que já se intensificaram desde o início do conflito em Gaza, em outubro de 2023. Dias após a explosão dos pagers, Israel lançou uma operação terrestre no sul do Líbano e intensificou bombardeios aéreos em áreas de Beirute e no Vale do Bekaa, resultando em pesadas baixas civis.

Segundo o Ministério da Saúde Pública do Líbano, mais de 3 mil libaneses morreram e cerca de 13.500 ficaram feridos desde outubro, enquanto mais de um milhão de pessoas foram deslocadas em função dos ataques. Na quarta-feira, ataques aéreos israelenses na região de Baalbek, no Vale do Bekaa, mataram ao menos 30 pessoas, segundo as autoridades locais, com novos bombardeios também sendo registrados no sul de Beirute.

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