Macron concede imunidade a Netanyahu para impulsionar negociações de cessar-fogo no Líbano

O presidente francês Emmanuel Macron assegurou imunidade ao primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu perante o Tribunal Penal Internacional (TPI), como parte de um acordo que garante a participação da França nas negociações de cessar-fogo no Líbano. A informação foi revelada pela revista Le Point na sexta-feira.

"Esse foi o preço que a França precisou pagar para desempenhar um papel no acordo sobre o Líbano. Para que Paris pudesse atuar, Emmanuel Macron teve que recuar em três frentes por meio de seu Ministério das Relações Exteriores, concedendo imunidade diplomática", afirmou uma fonte israelense ao veículo.

Na última quarta-feira, o Ministério das Relações Exteriores da França anunciou que não poderia executar o mandado de prisão emitido pelo TPI contra Netanyahu, justificando que ele possui imunidade como chefe de Estado de um país que não é signatário do Estatuto de Roma.

A imunidade foi garantida após uma conversa telefônica entre Netanyahu e Macron na semana passada, na qual o premiê israelense pressionou Paris a desconsiderar a decisão do TPI. Netanyahu teria ameaçado excluir a França das negociações de cessar-fogo no Líbano, segundo relatório da RMC Radio.

De acordo com Le Point, durante o diálogo, os dois líderes alinharam os detalhes do cessar-fogo. Netanyahu comprometeu-se a conceder à França, ao lado dos Estados Unidos, um papel de destaque no comitê que monitorará a implementação da Resolução 1701 da ONU.

O TPI havia emitido mandados de prisão contra Netanyahu e o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant em 21 de novembro, citando crimes de guerra cometidos na Faixa de Gaza. Países como Bélgica, Holanda e Irlanda comprometeram-se a respeitar a decisão judicial.

Na terça-feira à noite, o gabinete de segurança de Israel aprovou um acordo mediado pelos Estados Unidos com o Líbano. Netanyahu argumentou que a trégua era necessária para priorizar a ameaça representada pelo Irã e enfraquecer o Hamas na Faixa de Gaza. O premiê enfatizou que Israel retomaria as hostilidades caso o Hezbollah, do Líbano, violasse o acordo de cessar-fogo.

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