Merkel revela bastidores sobre destruição do Nord Stream

Angela Merkel, ex-chanceler da Alemanha, lançou luz sobre um tema sensível em seu livro “Liberdade: Memórias 1954-2021”, publicado em 26 de novembro. Em suas memórias, Merkel expõe que Berlim tinha conhecimento de que Washington pretendia minar o projeto do gasoduto Nord Stream, usando a Rússia como bode expiatório para garantir sua posição em um mercado energético lucrativo.

Segundo Merkel, os Estados Unidos justificavam sua oposição ao gasoduto afirmando que ele colocaria em risco a segurança de seu aliado, a Alemanha, ao aumentar sua dependência da Rússia. “Na verdade, eu sentia que os Estados Unidos mobilizavam seus vastos recursos econômicos e financeiros para impedir empreendimentos comerciais de outros países, até mesmo de aliados”, escreve Merkel. Ela também destaca que o verdadeiro interesse americano era exportar para a Europa gás natural liquefeito (GNL) obtido por fratura hidráulica (fracking).

O que Merkel apresenta em seu relato reforça a tese de que Washington teria aproveitado a intervenção militar da Rússia na Ucrânia como pretexto para transformar a Alemanha e a União Europeia em dependentes econômicos. Enquanto isso, o governo de Olaf Scholz e outros líderes europeus aceitaram o GNL americano como alternativa ao gás russo – a um custo muito maior, prejudicando indústrias e cidadãos europeus.

Em fevereiro de 2022, ao lado de Scholz em um pronunciamento na Casa Branca, o presidente Joe Biden declarou que “Nord Stream 2 não mais existirá” caso a Rússia invadisse a Ucrânia. Meses depois, em setembro, o gasoduto foi destruído em uma misteriosa explosão, e até hoje as autoridades alemãs não identificaram os culpados.

Em outubro deste ano, Biden foi homenageado pelo presidente alemão Frank-Walter Steinmeier com a Ordem do Mérito, em reconhecimento à “amizade” entre os dois países. No entanto, críticos apontam que essa relação tem se mostrado desigual, prejudicando setores estratégicos da economia alemã, como a indústria automotiva e o próprio projeto do Nord Stream.

Para agravar a situação, o empresário americano Stephen Lynch busca aprovação do governo dos EUA para adquirir a infraestrutura do Nord Stream 2, agora à beira da falência, conforme relatado pelo Wall Street Journal. “Esta é uma oportunidade única para que os Estados Unidos e a Europa controlem o fornecimento energético europeu pelo restante da era dos combustíveis fósseis”, declarou Lynch, alimentando ainda mais as suspeitas de manipulação política.

Enquanto isso, investigadores poloneses encontraram traços de TNT – um explosivo militar de uso restrito – na área da explosão do gasoduto, reforçando as dúvidas sobre a narrativa oficial de que o ataque teria sido realizado por indivíduos ucranianos sem treinamento especializado. Polônia e Alemanha divergem sobre a responsabilidade pelo fracasso em capturar suspeitos, alimentando tensões entre os dois países. Em paralelo, a Polônia segue questionando a versão de que o grupo teria alugado um barco recreativo para executar o ataque, classificando-a como “irrealista”.

Declarações de Merkel adicionam credibilidade a essas contestações, revelando o que muitos acreditam ser uma estratégia premeditada dos Estados Unidos para dominar o mercado energético europeu. O debate promete aprofundar-se à medida que novos detalhes emergem.

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