O Reino Unido não irá abordar o tema das reparações pela escravidão transatlântica durante o encontro dos Chefes de Governo da Commonwealth (CHOGM), que começou nesta segunda-feira em Samoa. Segundo um porta-voz do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, a questão não faz parte da pauta do governo, apesar das crescentes pressões por um reconhecimento formal e reparações.
Com 56 países participantes, em sua maioria ex-colônias britânicas, o encontro da Commonwealth reúne líderes de várias nações para discutir temas globais. No entanto, apesar da presença de Starmer e do Rei Charles no evento, o governo britânico reiterou sua postura sobre o assunto. “Não pagamos reparações”, afirmou o porta-voz de Starmer, acrescentando que o Reino Unido também não fará nenhum pedido de desculpas durante a cúpula.
A postura de Starmer é uma continuidade da política de seu antecessor, Rishi Sunak, que em abril de 2023 rejeitou pedidos de desculpas ou compensações pela escravidão, afirmando que "rever o passado não é o caminho adequado" para avançar. Apesar disso, o governo britânico mantém o diálogo com parceiros internacionais sobre o tema, embora sem prometer mudanças.
A pressão por reparações decorre do envolvimento histórico do Império Britânico no tráfico de escravos africanos. Durante 150 anos, estima-se que cerca de 3,1 milhões de africanos foram comercializados, dos quais 2,7 milhões foram enviados para as colônias nas Américas e no Caribe. O tráfico de escravos foi abolido pelo Parlamento britânico em 1807, mas as cicatrizes dessa prática persistem até hoje.
Um estudo publicado pela Universidade das Índias Ocidentais em 2023, conduzido pela Brattle Group Report, estimou que o Reino Unido teria uma dívida de US$ 24 trilhões (aproximadamente R$ 120 trilhões) em reparações para 14 países afetados pelo tráfico de escravos. Apenas a Jamaica teria direito a cerca de US$ 9,6 trilhões (cerca de R$ 48 trilhões) desse montante.
Embora o Reino Unido se mantenha firme em sua posição, membros da Comunidade do Caribe (Caricom) continuam a pressionar pela questão das reparações. Em julho de 2023, o primeiro-ministro de Trinidad e Tobago, Keith Rowley, afirmou que os países caribenhos iriam "pressionar de forma vigorosa" para que o tema fosse discutido no CHOGM.
O juiz da ONU Patrick Robinson também destacou em agosto de 2023 que o Reino Unido não poderá continuar ignorando os pedidos por reparações, enfatizando que tal compensação "é exigida pela história e pelo direito."
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