Rússia alerta para ‘resposta devastadora’ caso Ucrânia ataque em território russo

A Rússia emitiu um grave alerta ao Ocidente: se as forças ucranianas realizarem ataques em solo russo com armamentos ocidentais, Moscou interpretará a ação como uma participação direta da OTAN no conflito. A declaração foi dada nesta quarta-feira pela porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, em meio a especulações sobre uma possível autorização dos EUA para que a Ucrânia utilize mísseis de longo alcance fornecidos pelo Ocidente.

Relatos recentes indicam que o Reino Unido e a França estão pressionando Washington para permitir que Kiev empregue mísseis de cruzeiro Storm Shadow e Scalp em ataques dentro da Rússia antes da posse de Donald Trump em janeiro. Segundo Zakharova, “se o regime de Kiev receber permissão para esses ataques, consideraremos isso uma entrada direta da OTAN no conflito.” Ela completou, enfatizando que a resposta russa seria “imediata e devastadora” caso armas ocidentais de longo alcance fossem empregadas contra o território russo.

Para Moscou, o uso de armamentos de longo alcance fornecidos pelo Ocidente não seria possível apenas com o apoio ucraniano. A operação desses sistemas, afirma o governo russo, demandaria tanto a presença de especialistas da OTAN quanto o uso de dados de inteligência obtidos via satélites do bloco militar. Essas condições, dizem as autoridades russas, indicam uma escalada perigosa da guerra.

O próprio ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, declarou recentemente que ataques com tais armamentos evidenciariam que, na prática, a OTAN estaria em guerra com a Rússia. Já na semana passada, Lavrov afirmou à imprensa estatal russa que o emprego desses armamentos equivaleria a um ato de guerra direto por parte das nações da OTAN.

Em outra medida que revela a seriedade da questão, o presidente russo, Vladimir Putin, ordenou revisões na doutrina nuclear do país, justificando o uso de armas nucleares em resposta a ataques de Estados não nucleares apoiados por potências nucleares.

Durante a entrevista coletiva, Zakharova também levantou a possibilidade de que Kiev busque disfarçar mísseis ocidentais como se fossem de fabricação ucraniana, uma tentativa de evitar repercussões. Ela acusou o governo ucraniano de estar envolvido em uma “trapaça sangrenta” que, segundo ela, não ocorreria sem o consentimento das potências ocidentais.

O pronunciamento de Zakharova veio um dia após Boris Johnson, ex-primeiro-ministro britânico, sugerir em entrevista que o Reino Unido poderia enviar tropas à Ucrânia caso o apoio militar dos EUA seja reduzido com a posse de Trump. Moscou tem enfatizado que não possui intenções de atacar membros da OTAN, mas alerta que o crescente envolvimento da aliança militar eleva o risco de um confronto direto.

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