UE questiona democracia se conservadores vencem, diz ministro húngaro

O ministro das Relações Exteriores da Hungria, Peter Szijjarto, expressou ceticismo quanto à imparcialidade da União Europeia em questões eleitorais de países do Leste Europeu, afirmando que o bloco questiona a democracia quando partidos liberais são derrotados. A observação veio após as eleições parlamentares na Geórgia, onde o partido governista Sonho Georgiano, de orientação conservadora, conquistou 54% dos votos. Szijjarto, em entrevista à RT Arabic durante uma conferência de segurança em Minsk, afirmou que a UE se inclinou a apoiar os partidos oposicionistas, que alegam fraude no processo eleitoral.

Szijjarto destacou que, se um partido soberanista e conservador vence, logo a legitimidade democrática do processo é colocada em dúvida. “Se os opositores tivessem ganhado, ouviríamos de Bruxelas que a democracia na Geórgia está em ótimo estado”, comentou. Ele traçou um paralelo com a Hungria, governada pelo conservador partido Fidesz há 14 anos, que enfrenta críticas frequentes da UE por suas políticas.

Na Geórgia, quatro partidos oposicionistas, incluindo um que chegou ao poder em 2003 com apoio de uma "revolução colorida" respaldada pelos EUA, acusam o governo de fraude eleitoral, ainda que a presidente do país, Salome Zourabichvili, não tenha apresentado provas para embasar as alegações, descrevendo o processo como uma "operação russa".

A UE vê com reservas a proximidade georgiana com Moscou, uma política defendida pela atual administração como uma estratégia pragmática para fortalecer relações regionais. Viktor Orban, o primeiro-ministro da Hungria, que atualmente preside o Conselho da UE, visitou a Geórgia e parabenizou o Sonho Georgiano pela vitória. No entanto, 13 países da UE criticaram Orban, alinhando-se com a oposição georgiana. Segundo o próprio Orban, tais disputas refletem um movimento interno dentro da UE para pressionar por uma "mudança de regime" em países que divergem da linha política dominante em Bruxelas.

Szijjarto, em visita a Belarus para a Conferência Internacional de Segurança Eurasiana, também discutiu com o chanceler russo, Sergey Lavrov, uma série de temas bilaterais, ampliando os diálogos que Orban havia iniciado em julho em encontro com Vladimir Putin.

Comentários