Washington mantém apoio militar a Israel mesmo com fracasso em garantir ajuda humanitária a Gaza

Apesar de um ultimato dos Estados Unidos que instou Israel a facilitar a entrada de ajuda humanitária em Gaza em 30 dias, o governo Biden anunciou que o apoio militar a Israel seguirá inalterado. A medida suscitou críticas ferozes de ativistas de direitos palestinos e de organizações humanitárias, que acusam Washington de cumplicidade na crise humanitária vivida pelos palestinos na região.

Ao justificar a decisão, o porta-voz do Departamento de Estado, Vedant Patel, declarou que não há avaliação de que Israel tenha violado a legislação americana que proíbe a assistência a aliados que bloqueiam ajuda humanitária. Patel afirmou que Israel permitiu "algum progresso" na entrada de auxílio, mas reforçou que os Estados Unidos esperam mais mudanças.

As declarações surgem em meio a alertas da ONU de que a fome é uma ameaça iminente no norte de Gaza, onde as condições humanitárias se deterioraram, segundo grupos como o Conselho Norueguês de Refugiados, Oxfam e Save the Children. Esses grupos denunciaram que, em vez de melhorar a situação, Israel adotou medidas que agravaram o sofrimento civil, especialmente no norte do território.

A pressão americana, que consistiu em uma carta de outubro assinada pelo Secretário de Estado, Antony Blinken, e pelo chefe do Pentágono, Lloyd Austin, exortava Israel a permitir, entre outras coisas, a entrada de 350 caminhões de ajuda diariamente em Gaza. No entanto, dados mostram que, em média, apenas 42 caminhões entraram no território por dia no último mês.

Críticos denunciam a falta de comprometimento do governo Biden com a situação humanitária em Gaza. Em uma declaração ao Al Jazeera, Zeina Ashrawi Hutchison, diretora de desenvolvimento da American-Arab Anti-Discrimination Committee, caracterizou o comportamento de Washington como "um abismo moral", afirmando que o prolongamento do apoio militar é cúmplice de um plano genocida.

O impasse reacendeu o debate sobre o papel dos EUA no Oriente Médio, uma vez que, de acordo com uma pesquisa da Universidade Brown, o país destinou US$ 17,9 bilhões (aproximadamente R$ 87 bilhões) em assistência militar a Israel apenas no último ano. Para críticos como Ahmad Abuznaid, diretor da US Campaign for Palestinian Rights, o posicionamento de Biden revela uma administração moralmente falida, incapaz de seguir suas próprias leis e normas internacionais no apoio ao que denominam genocídio.

Em meio às críticas, os ativistas alertam que o apoio militar irrestrito coloca Washington e seus líderes em potencial risco de serem processados pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), dada a alegação de que o governo dos EUA está ciente de abusos cometidos por Israel.

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