Ankara rejeita alegações dos EUA sobre cessar-fogo com curdos sírios

O governo turco reafirmou seu compromisso de prosseguir com operações militares no norte da Síria, enquanto aumentam os temores de um ataque à cidade fronteiriça curda de Kobane.

A Turquia rebateu as declarações feitas pelos Estados Unidos sobre um suposto acordo de cessar-fogo com os combatentes curdos no norte da Síria. Segundo autoridades turcas, essas alegações são infundadas e não alteram a intenção de Ancara de continuar sua campanha militar para expulsar grupos que considera terroristas da região.

Na quinta-feira, um alto funcionário da defesa turca desmentiu declarações do porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Matthew Miller, de que um cessar-fogo mediado por Washington entre rebeldes apoiados pela Turquia e as Forças Democráticas Sírias (SDF) perto da cidade de Manbij teria sido estendido até o final da semana.

As SDF, aliadas dos Estados Unidos na luta contra o grupo Estado Islâmico (ISIL), são vistas por Ancara como uma extensão do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), organização considerada terrorista pela Turquia. “É fora de questão que a Turquia negocie com as SDF, lideradas pelas Unidades de Proteção Popular (YPG), que estão diretamente ligadas ao PKK”, afirmou o oficial turco, qualificando as declarações dos EUA como um “equívoco”.

“Enquanto a organização terrorista PKK/YPG não se desarmar e seus combatentes estrangeiros não deixarem a Síria, nossas preparações e medidas continuarão no âmbito da luta contra o terrorismo”, completou.

Embora o PKK seja listado como grupo terrorista pelos EUA e aliados ocidentais da Turquia, as YPG e as SDF não compartilham dessa classificação, o que frequentemente gera tensões entre os dois países membros da OTAN.

Os recentes combates entre facções apoiadas pela Turquia e forças curdas sírias ocorrem mais de uma semana após a queda do presidente sírio Bashar al-Assad, liderada por grupos de oposição, incluindo o Hayat Tahrir al-Sham (HTS).

De Istambul, a correspondente Sinem Koseoglu, da Al Jazeera, relatou que Ancara espera que a nova administração síria assuma o controle do território, removendo os combatentes estrangeiros, uma referência direta aos membros do PKK dentro das YPG. “Se a nova administração não conseguir expulsar esses combatentes, a Turquia pode intervir novamente”, disse Koseoglu.

A crescente preocupação recai sobre um possível ataque turco à cidade fronteiriça curda de Kobane, também conhecida como Ain al-Arab, localizada a cerca de 50 km a nordeste de Manbij.

Enquanto isso, declarações do presidente eleito dos EUA, Donald Trump, classificando a derrubada de al-Assad como uma “tomada hostil” pela Turquia, provocaram reações em Ancara. O ministro das Relações Exteriores turco, Hakan Fidan, refutou os comentários, afirmando que seria “um grave erro” descrever os recentes eventos na Síria como uma intervenção turca.

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