Em resposta a recentes sanções tarifárias da União Europeia (UE) sobre a importação de veículos elétricos (EVs) chineses, a China formalizou uma queixa junto à Organização Mundial do Comércio (OMC). A decisão da UE de aplicar tarifas adicionais, variando entre 8% e 35% sobre EVs chineses, baseia-se em uma investigação de um ano conduzida por Bruxelas, que concluiu que fabricantes chineses de veículos se beneficiam de subsídios considerados "injustos". Essa taxa se soma à tarifa padrão de 10% aplicada a automóveis importados pela UE.
O Ministério do Comércio da China declarou na segunda-feira que “a China se opõe firmemente” à decisão europeia, apontando que “para proteger os interesses da indústria de veículos elétricos e promover a cooperação global pela transição verde, o país decidiu processar as medidas anti-subsídios da UE”. A pasta lamentou que a decisão tenha sido anunciada “apesar das numerosas objeções de governos de países membros da UE, setores industriais e da própria população europeia”.
Pequim considera que a decisão carece de fundamento factual e legal, afirmando que as tarifas violam as normas da OMC e configuram protecionismo comercial sob o pretexto de medidas anti-subsídios. Para a UE, no entanto, as tarifas visam proteger as fabricantes europeias de uma concorrência considerada desleal, pois os subsídios estatais chineses colocariam a indústria europeia em desvantagem. Países como Alemanha e Hungria, entretanto, se manifestaram contrários à imposição das tarifas.
O mercado europeu é o principal destino internacional para os EVs chineses, com importações que saltaram de US$ 1,6 bilhão (aproximadamente R$ 7,9 bilhões) em 2020 para US$ 11,5 bilhões (cerca de R$ 56,6 bilhões) em 2023, representando 37% do total de importações de EVs no bloco. Com isso, o governo chinês alertou repetidamente sobre o risco de uma “guerra comercial”, caso a UE intensifique essas medidas restritivas. Em retaliação, Pequim implementou tarifas provisórias sobre o conhaque europeu e iniciou uma investigação anti-dumping sobre determinados produtos suínos e lácteos da UE.
A decisão da UE também se segue a um movimento semelhante dos Estados Unidos, que aumentaram a tarifa sobre os EVs chineses de 25% para 100% em maio, intensificando a pressão econômica sobre a China em diversos setores.
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