O presidente sul-coreano, Yoon Suk-yeol, enfrenta pressão crescente para renunciar após uma série de eventos turbulentos. Dois dias após decretar lei marcial – uma decisão revertida rapidamente pelo parlamento do país –, Yoon agora enfrenta uma moção de impeachment apresentada por partidos de oposição. A votação está prevista para os próximos dias, podendo definir o futuro político do líder conservador.
Por que Yoon decretou lei marcial?
Em um pronunciamento inesperado na televisão, Yoon justificou a imposição da lei marcial alegando a necessidade de proteger o país contra supostas atividades pró-Coreia do Norte atribuídas ao principal partido de oposição, o Partido Democrático. Sem apresentar evidências concretas, o presidente também ordenou que tropas militares bloqueassem o prédio da Assembleia Nacional, mas parlamentares forçaram a entrada e votaram unanimemente para suspender a medida.
Após o fracasso da manobra, seis partidos da oposição uniram-se para protocolar a moção de impeachment contra Yoon, agravando a crise política.
Como funciona o processo de impeachment na Coreia do Sul?
Para que o impeachment de um presidente seja aprovado, dois terços dos membros da Assembleia Nacional – ou 200 dos 300 parlamentares – precisam votar a favor. Em seguida, a decisão passa para o Tribunal Constitucional, que exige o voto de seis dos nove juízes para validar a remoção do presidente.
Se a corte rejeitar a moção, a oposição tem a possibilidade de iniciar um novo processo. No entanto, se o impeachment for aprovado, Yoon será imediatamente afastado de suas funções enquanto o tribunal delibera sobre o caso.
A situação política de Yoon é insustentável?
Atualmente, os partidos de oposição controlam 192 cadeiras na Assembleia Nacional e precisam do apoio de pelo menos oito parlamentares do partido de Yoon, o conservador Poder do Povo, para aprovar a moção. Contudo, há divisões internas entre os aliados do presidente. Embora o líder da bancada governista tenha afirmado que os 108 membros do partido estão comprometidos em barrar o impeachment, a insatisfação com a tentativa de implementar lei marcial prejudicou a base de apoio de Yoon.
Uma pesquisa recente do instituto Realmeter revelou que 73,6% da população apoia o impeachment do presidente. A situação política se deteriorou ainda mais com a renúncia de membros importantes do governo, incluindo o ministro da Defesa, Kim Yong-hyun.
Quem assume em caso de afastamento de Yoon?
Se o impeachment for aprovado, o primeiro-ministro Han Duck-soo assumirá a presidência de forma interina. A Constituição sul-coreana exige que eleições presidenciais sejam realizadas em até 60 dias após a destituição de um presidente.
Han, de 75 anos, é um veterano na política e economia sul-coreanas, com uma longa carreira que inclui cargos de destaque no governo e no serviço diplomático. No entanto, relatos indicam que ele não foi consultado por Yoon durante a decisão de impor a lei marcial, o que levantou questionamentos sobre a gestão de crises do presidente.
Lee Jae-myung: o favorito à presidência
O principal nome da oposição, Lee Jae-myung, emerge como o favorito para suceder Yoon caso novas eleições sejam convocadas. Derrotado por uma margem estreita na eleição presidencial de 2022, Lee é conhecido por sua trajetória de superação e atuação como advogado trabalhista e de direitos humanos.
Entretanto, sua candidatura enfrenta incertezas. Em novembro, Lee foi condenado por violar leis eleitorais ao mentir sobre um escândalo de corrupção envolvendo sua gestão como prefeito de Seongnam. A pena, suspensa por um ano, está sendo contestada, mas pode comprometer sua elegibilidade se confirmada.
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