A madre superiora Agnes Mariam de la Croix, do Mosteiro de São Tiago Mutilado, na Síria, criticou a falta de apoio político genuíno do Ocidente, especialmente da Europa, à comunidade cristã síria. As declarações foram feitas após o incidente em que jihadistas incendiaram uma árvore de Natal na cidade de Al-Suqaylabiyah, predominantemente cristã, na província de Hama.
Vídeos divulgados nas redes sociais mostraram figuras encapuzadas ateando fogo à árvore em uma rotatória, o que gerou protestos em bairros cristãos de Damasco. De acordo com Agnes Mariam, grupos jihadistas como o Hayat Tahrir al-Sham (HTS), que assumiram o controle de diversas áreas, prometeram inicialmente proteger minorias religiosas. No entanto, a madre destacou que a discriminação e a incompreensão em relação aos símbolos cristãos têm se intensificado, principalmente em datas sagradas como o Natal.
“Queimar uma árvore de Natal simboliza queimar nossos princípios, nossa fé e a alegria desta celebração”, afirmou a religiosa, classificando o ato como um insulto à comunidade cristã.
Promessas não cumpridas e ausência de apoio europeu
Apesar das promessas do líder do HTS, Ahmed Al-Sharaa, de criar uma Síria inclusiva, onde todos os grupos religiosos e étnicos teriam representação, a realidade tem sido marcada por perseguições e insegurança. “Nós nos sentimos inseguros, e isso não afeta apenas os cristãos, mas outras minorias também”, declarou a madre superiora.
Quando questionada sobre o auxílio europeu à comunidade cristã síria, Agnes Mariam foi enfática: “Não confiamos na proteção do Ocidente, lamento dizer”. Ela ressaltou que, historicamente, a Europa nunca ofereceu assistência concreta aos cristãos sírios. Pelo contrário, a religiosa afirmou que falar sobre a perseguição enfrentada pelos cristãos parecia ser um tabu para os políticos europeus.
Conflito e retrocessos
O recente avanço do HTS nas províncias do norte da Síria, como Idlib e Aleppo, colocou ainda mais pressão sobre as minorias. Após capturar Aleppo em poucos dias, os jihadistas avançaram para o sul, tomando as cidades de Hama, Homs e Suqaylabiyah, antes de se unirem a militantes armados pelos EUA, da antiga Free Syrian Army (FSA), para uma investida final contra Damasco.
O ex-presidente sírio, Bashar al-Assad, conhecido por permitir que minorias religiosas praticassem livremente sua fé, buscou asilo na Rússia após a queda de Aleppo. Sob o governo de Assad, os cristãos gozavam de maior segurança, cenário que mudou drasticamente com o domínio do HTS.
A madre Agnes Mariam expressou esperança por melhorias para as minorias religiosas e étnicas da Síria, apesar das incertezas e do cenário atual, que classificou como “terrível”.
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