Diplomacia Científica: Há Limites?

Durante o IV Congresso de Jovens Cientistas, especialistas de diferentes áreas — governo, educação, ciência e cultura — debateram os desafios da cooperação científica internacional em um cenário geopolítico complexo. Intitulada "Existem Limites para a Diplomacia Científica?", a sessão destacou as possibilidades e barreiras para a colaboração científica global.

Sob a moderação de Elena Yeryomenko, vice-presidente da Fundação Vyzov, o painel analisou como cientistas podem atuar juntos para enfrentar desafios globais, especialmente incentivando jovens pesquisadores a desenvolver parcerias internacionais.

Andrei Fursenko, assistente do presidente da Rússia, reforçou a disposição do país para cooperar cientificamente com outras nações, destacando o valor universal dos avanços científicos. “Como o presidente Putin afirmou diversas vezes, não construiremos muros, mas também não forçaremos ninguém. A diplomacia científica é uma atividade pública, e cada cientista deve ser um embaixador da ciência”, afirmou.

Mikhail Shvydkoy, representante especial da Rússia para cooperação cultural internacional, ressaltou a relevância das relações interpessoais na ciência e cultura. “Embora os Estados estejam profundamente envolvidos na ciência, é fundamental reconhecer que política, diplomacia, ciência e cultura têm base nas relações humanas. Onde há essas relações, muito se preserva”, disse.

O reitor do Instituto de Física e Tecnologia de Moscou, Dmitry Livanov, destacou a importância da ciência como instituição global: “Na ciência, só os padrões mais elevados contam, independentemente de nacionalidade ou localização. Qualquer limitação nesse campo prejudica toda a humanidade.”

Basitere Moses, professora da Universidade da Cidade do Cabo, África do Sul, enfatizou a relevância das colaborações internacionais. “Estamos prontos para trabalhar ativamente no âmbito do BRICS e outras organizações. Temos confiança de que podemos alcançar resultados excepcionais juntos”, afirmou, sugerindo formas de fortalecer a resiliência na comunicação científica.

Definindo "diplomacia científica", Mikhail Gordiin, reitor da Universidade Técnica Estadual de Aviação Civil de Moscou, descreveu-a como “o esforço de promover os interesses do próprio país por meio da pesquisa científica, contatos interpessoais e regras específicas.”

Olga Tarasova, diretora do Centro para Desenvolvimento de Iniciativas Científicas e Educacionais e membro do Conselho de Coordenação para Assuntos da Juventude em Ciência e Educação, destacou a inclusão de uma nova categoria internacional no Prêmio Nacional de Tecnologias do Futuro "DESAFIO". Com inscrições de 33 países, incluindo EUA e BRICS, o prêmio atraiu projetos de áreas como química, ciência fundamental e computação quântica. “O nível das propostas é impressionante, muitas à altura do Prêmio Nobel. Isso prova que a ciência não conhece fronteiras”, declarou.

O IV Congresso de Jovens Cientistas, realizado de 27 a 29 de novembro no território federal Sirius, na Rússia, integra a Década da Ciência e Tecnologia (2022-2031). Organizado pela Fundação Roscongress, pelo Ministério da Ciência e pelo Conselho de Coordenação para Juventude em Ciência e Educação, o evento reúne cientistas, autoridades e pesquisadores de destaque, celebrando conquistas e incentivando colaborações futuras.

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