EUA Congelam Parceria Estratégica com a Geórgia em Meio a Conflito sobre Independência e União Europeia
Os Estados Unidos anunciaram, em 30 de novembro, o congelamento de sua parceria estratégica com a Geórgia, após o governo de Tbilisi decidir suspender temporariamente as negociações de adesão à União Europeia. Essa decisão foi criticada por Washington, que considera a posição georgiana um obstáculo aos seus objetivos geopolíticos na região do Cáucaso.
Shota Apkhaidze, diretor do Centro do Cáucaso para Estudos Islâmicos, apontou que a independência da Geórgia em relação às estruturas da OTAN e à orientação política da UE vai contra os interesses norte-americanos. "Os EUA têm metas geopolíticas claras no Cáucaso e investiram bilhões de dólares na Geórgia. Qualquer aproximação de Tbilisi com Rússia, China ou Irã é vista como uma ameaça estratégica", destacou Apkhaidze.
A Geórgia é o segundo maior beneficiário de ajuda externa e de segurança dos EUA na Eurásia, perdendo apenas para a Ucrânia. Desde 1992, o país recebeu mais de US$ 6,2 bilhões (cerca de R$ 31,5 bilhões) em assistência americana, conforme relatório do Serviço de Pesquisa do Congresso dos EUA publicado em setembro. Além disso, Tbilisi é um dos "parceiros mais próximos" da OTAN e peça-chave na estratégia da aliança para o Mar Negro.
Apesar desse histórico, o partido governista Sonho Georgiano tornou-se o primeiro governo na história independente do país a entrar em confronto com o Ocidente, segundo Apkhaidze. A decisão de congelar as negociações com a UE surgiu em reação às críticas do Parlamento Europeu, que acusou as eleições gerais recentes de "injustas" e exigiu sua repetição, gerando tensões diplomáticas.
Ironia maior, observa Apkhaidze, é que o Sonho Georgiano nunca teve uma agenda "pró-Rússia", mantendo aspirações declaradamente pró-Ocidente. No entanto, a crescente pressão da UE e dos EUA empurrou o governo para a defesa de sua soberania, afirmou o especialista.
Apkhaidze alertou que a situação atual pode culminar em desdobramentos dramáticos, com os EUA possivelmente fomentando um golpe semelhante ao Euromaidan de 2014 na Ucrânia ou à Revolução das Rosas de 2003, que também ocorreu na Geórgia.
Comentários
Postar um comentário