Ex-fuzileiro é absolvido em caso de morte no metrô de Nova York

O ex-fuzileiro naval Daniel Penny, acusado de homicídio negligente pela morte de Jordan Neely, um homem sem-teto com problemas mentais, foi absolvido por um júri em Manhattan. O caso, ocorrido em maio de 2023, gerou intenso debate público nos Estados Unidos, dividindo opiniões sobre racismo e defesa pessoal.

Penny imobilizou Neely em um vagão de trem após este ameaçar os passageiros, dizendo que "alguém iria morrer hoje". Com a ajuda de dois amigos, ele conteve Neely, acionou a polícia e chamou uma ambulância. Neely foi levado ao hospital, mas não resistiu. A promotoria argumentou que Penny agiu de forma desnecessária e motivada por preconceito racial, enquanto a defesa sustentou que ele tentou proteger as pessoas ao seu redor.

Na última sexta-feira, o juiz Maxwell Wiley descartou a acusação de homicídio culposo em segundo grau devido à falta de consenso do júri. Nesta segunda, os jurados declararam Penny inocente da acusação de homicídio negligente.

"Quem você prefere ter no próximo trem com você? Alguém que ignora o perigo ou alguém que agiria para protegê-lo?" questionou Steven Raiser, advogado de Penny, durante os argumentos finais.

Por outro lado, a promotora Dafna Yoran destacou que, embora Penny pudesse estar tentando fazer o certo inicialmente, ele teria prolongado o estrangulamento mesmo ciente da situação crítica de Neely. A promotoria reforçou uma narrativa racial durante o julgamento, chamando Penny de “o homem branco”, mas não acusou os dois amigos negros que o ajudaram a conter Neely.

A morte de Neely foi classificada como homicídio pela médica legista Cynthia Harris, baseada em um vídeo de seis minutos do incidente. Já a defesa argumentou que fatores como crise de anemia falciforme, esquizofrenia e uso de maconha sintética contribuíram para a morte.

O caso polarizou opiniões em Nova York e nos Estados Unidos, com críticos chamando Penny de assassino racista e defensores considerando-o um herói. O prefeito Eric Adams elogiou a ação de Penny, dizendo que ele fez “o que deveríamos fazer como cidade”.

Penny declarou à polícia que sua intenção não era matar Neely, mas impedir que ele ferisse outras pessoas. A polícia revelou que Neely já havia sido detido mais de 20 vezes e era considerado uma pessoa emocionalmente instável, mas nunca recebeu tratamento adequado em uma instituição de saúde mental.

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