Pela primeira vez desde 2012, a França enviará quatro diplomatas a Damasco nesta terça-feira, marcando a retomada das relações diplomáticas com a Síria. Segundo Jean-Noël Barrot, ministro interino das Relações Exteriores da França, a missão diplomática tem como objetivo restabelecer a influência francesa na região, abrir canais de diálogo com as novas autoridades e avaliar as necessidades humanitárias da população.
Desde a suspensão das relações diplomáticas, Paris vinha atuando de forma indireta na Síria por meio da embaixada da Romênia e da missão diplomática francesa no Líbano. De acordo com Barrot, existem centenas de cidadãos franceses ainda no território sírio, o que reforça a urgência de um diálogo direto. A reaproximação acontece em meio à ascensão de novas lideranças no país. Barrot descreveu o governo interino como “animador” e “não abusivo”, ao mesmo tempo em que reafirmou o apoio francês a uma transição política inclusiva que leve em conta os interesses de todas as facções da sociedade síria.
A retomada ocorre pouco depois da queda do regime de Bashar al-Assad. Em dezembro, a oposição armada, composta por coalizões como a Hayat Tahrir al-Sham (HTS), tomou Damasco, levando Assad a negociar sua renúncia e a deixar o país rumo à Rússia, onde recebeu asilo político. Mohammed al-Bashir, líder da administração baseada em Idlib, foi nomeado primeiro-ministro interino.
Porém, a reaproximação não está livre de polêmicas. A presença de jihadistas franceses entre os grupos armados sírios preocupa as autoridades de segurança francesas. De acordo com o Ministério do Interior da França, dezenas de militantes condenados em tribunais franceses participaram dos conflitos, inclusive na ofensiva que levou à tomada de Damasco. Essa situação gera temores sobre o retorno desses combatentes à Europa e o potencial de novos ataques terroristas em solo francês.
Recentemente, o governo francês anunciou que está revisando os processos de asilo pendentes de solicitantes sírios. Desde 2011, cerca de 45 mil sírios receberam asilo na França. Em 2023, foram registrados quase 4.500 pedidos, e, apenas nos primeiros meses de 2024, mais 2.500 novas solicitações foram feitas.
A retomada das relações entre Paris e Damasco é vista como uma mudança significativa na postura francesa. A queda do regime de Assad e a ascensão de novas lideranças na Síria abriram espaço para um reposicionamento estratégico, mas também expõem desafios diplomáticos e de segurança que Paris não poderá ignorar.
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