Israel intensifica ataques em Gaza enquanto acusações de genocídio aumentam

Pelo menos 39 palestinos foram mortos em ataques aéreos israelenses realizados durante a noite na Faixa de Gaza, segundo fontes médicas. Entre as vítimas, 21 perderam a vida em um ataque que incendiou tendas de famílias deslocadas em um acampamento superlotado em al-Mawasi, localizado na costa oeste de Khan Younis, no sul de Gaza.

Os moradores relataram cenas de desespero enquanto retiravam corpos do que restava das tendas queimadas. Em meio à destruição, tapetes e pertences chamuscados destacavam a tragédia vivida por milhares que buscavam refúgio em uma área considerada "zona segura" por Israel. Contudo, ataques reiterados a essas tendas colocam em dúvida a segurança do local.

As ofensivas ocorrem enquanto a Anistia Internacional divulgou um relatório afirmando que as ações israelenses em Gaza configuram genocídio, um posicionamento que Israel rejeitou veementemente, classificando a organização de "fanática e deplorável". Os Estados Unidos também rejeitaram as alegações.

No ataque em al-Mawasi, os médicos confirmaram que entre as vítimas estavam mulheres e crianças. Israel justificou a ação alegando ter como alvo líderes do Hamas, mas não forneceu identificações. Em outro incidente, um adolescente cadeirante foi morto e várias pessoas, incluindo profissionais de saúde, ficaram feridas em um ataque de drones ao Hospital Kamal Adwan, no norte de Gaza.

As condições humanitárias no território são catastróficas. Com o sistema de saúde em colapso e fome iminente, os moradores enfrentam uma crise sem precedentes. Três hospitais na região norte têm sido alvos frequentes desde a intensificação das operações terrestres israelenses em outubro.

Em Khan Younis, testemunhas relataram que a destruição foi amplificada por explosões de botijões de gás e móveis em chamas, transformando o acampamento em um cenário desolador. “Não vemos ninguém no mundo nos apoiando. Que parem esta guerra insana contra nós,” desabafou Abu Kamal al-Assar, presente no local.

Tareq Abu Azzoum, correspondente em Gaza, descreveu o ataque como um retrato das calamidades enfrentadas pelos palestinos, ressaltando a ausência de qualquer lugar seguro na região.

O conflito, que já dura mais de 430 dias, já causou a morte de mais de 44.500 palestinos, com milhares ainda sob os escombros. Israel iniciou sua ofensiva em outubro do ano passado, deslocando quase toda a população de 2,3 milhões de pessoas de suas casas.

Enquanto isso, esforços internacionais para um cessar-fogo foram retomados. Basem Naim, membro do bureau político do Hamas, afirmou que mediadores internacionais voltaram a negociar um acordo com Israel, após semanas de impasse. Entre as pautas estão a libertação de cativos e a troca de prisioneiros.

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