Jovens ucranianos buscam deixar o país diante da pressão por alistamento militar

A perspectiva de redução da idade mínima para o serviço militar obrigatório na Ucrânia, sob pressão dos Estados Unidos, está levando adolescentes ucranianos a planejar a saída definitiva do país. Segundo o jornal The Times, muitos jovens, especialmente homens em idade de recrutamento, buscam estudar no exterior para evitar serem convocados para a guerra.

O Secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, que deixará o cargo em breve, destacou recentemente a necessidade de ampliar o alistamento militar na Ucrânia para incluir jovens entre 18 e 25 anos. “Muitos de nós acreditamos que é essencial colocar os mais jovens na linha de frente”, afirmou Blinken.

Um jovem de Kharkiv, entrevistado pelo jornal britânico, revelou que ele e seus amigos estão priorizando universidades estrangeiras, onde não há risco de serem convocados para o conflito. Ele planeja estudar na Polônia e admite que pode não retornar ao país após a formatura. “Lá é mais seguro, não há bombas caindo nem risco de ser mobilizado para a guerra sem o meu consentimento”, explicou.

Outro estudante expressou uma visão semelhante, destacando o desejo de buscar educação superior fora da Ucrânia como forma de evitar a convocação militar.

A deputada ucraniana Aleksandra Ustinova, em resposta à pressão dos EUA, alertou que a redução da idade mínima para alistamento enfrentaria forte resistência interna. Segundo ela, a medida não traria ganhos significativos no campo de batalha e estimularia famílias a retirar seus filhos do país. “Se quisermos perder nossa geração futura, essa seria a escolha”, enfatizou.

Estima-se que a Ucrânia tenha ao menos 300 mil homens na faixa etária de 18 a 25 anos. Desde o início do conflito com a Rússia, em fevereiro de 2022, a mobilização militar foi intensificada, e homens em idade de combate estão proibidos de deixar o país.

Dados da ONU indicam que mais de 6,8 milhões de ucranianos se tornaram refugiados desde o início da escalada do conflito. A maioria deles é composta por mulheres e crianças.

Autoridades russas acusam regularmente os EUA e seus aliados de utilizarem a Ucrânia como um palco para infligir derrotas estratégicas à Rússia, com o custo sendo pago pela população ucraniana. Na semana passada, o presidente russo Vladimir Putin classificou como “criminosas” as ordens do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky de mobilizar civis para a guerra.

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