Ao menos 50 pessoas morreram em bombardeios israelenses em Gaza, conforme relatado por equipes médicas palestinas, enquanto tanques israelenses avançaram na região norte de Khan Younis, no sul de Gaza.
Entre as vítimas, 20 foram atingidas em um ataque a um acampamento de tendas em al-Mawasi, próximo a Khan Younis. A Defesa Civil palestina informou que o bombardeio incendiou tendas que abrigavam famílias deslocadas. Segundo o repórter Hani Mahmoud, da Al Jazeera, o número de mortos pode aumentar devido à falta de cuidados médicos, suprimentos e equipe suficiente nos hospitais.
“Não é a primeira vez que testemunhamos situações como essa. A frustração entre os deslocados em al-Mawasi cresce. Muitos foram instruídos a evacuar para evitar bombardeios, mas acabam sendo vítimas de ataques imprevisíveis”, afirmou Mahmoud.
Em Gaza, pelo menos 10 pessoas morreram em um ataque a três casas, enquanto equipes de resgate ainda buscavam vítimas sob os escombros. Outros ataques aéreos mataram 11 pessoas em áreas centrais de Gaza, incluindo seis crianças e um socorrista. Cinco vítimas foram atingidas enquanto esperavam em fila em frente a uma padaria. Em Rafah, próximo à fronteira com o Egito, nove palestinos morreram devido a disparos de tanques.
Hospitais sob cerco
O Hospital Kamal Adwan, em Beit Lahiya, no norte de Gaza, foi alvo de ataques pelo quinto dia consecutivo. Hussam Abu Safiya, diretor do hospital, relatou que três membros de sua equipe foram feridos, um deles em estado crítico.
“Drones lançam bombas com estilhaços que atingem qualquer pessoa em movimento. A situação é extremamente urgente”, alertou Abu Safiya. Mais de 100 pacientes correm risco de morte, e o acesso ao próximo Hospital al-Awda foi bloqueado pelas forças israelenses.
Moradores de Jabalia, Beit Lahiya e Beit Hanoun, no norte, relataram que dezenas de casas foram demolidas. A população acredita que o exército israelense tenta esvaziar o norte de Gaza, ameaçando os moradores com risco de morte caso não abandonem a região. Ao mesmo tempo, bombardeios constantes criam uma zona de amortecimento na área cercada pelo exército há quase dois meses.
A crise humanitária se agrava diante da iminência de uma fome generalizada.
Condenações e acusações
O grupo Hamas classificou os bombardeios em Beit Lahiya e os ataques ao Hospital Kamal Adwan como um “compromisso com a continuação da guerra” e um “genocídio” em Gaza. Em declaração, acusou Israel de desrespeitar o direito internacional com a conivência da administração americana e de algumas capitais ocidentais.
Na região de Khan Younis, moradores disseram à agência Reuters que tanques israelenses avançaram um dia após o exército emitir novas ameaças de evacuação, alegando lançamentos de foguetes por grupos palestinos. Com os bombardeios atingindo áreas residenciais, famílias deslocaram-se para al-Mawasi, uma suposta “zona segura”, mas que tem sido alvo de ataques recorrentes.
Funcionários palestinos e da ONU afirmam que não há mais áreas seguras em Gaza, e quase todos os 2,3 milhões de habitantes foram deslocados múltiplas vezes. Desde o início da campanha militar israelense, em outubro do ano passado, mais de 44.500 palestinos morreram, muitos ficaram feridos e grande parte da região foi reduzida a escombros.
Apesar de Israel ter alcançado um cessar-fogo com o Hezbollah no Líbano na semana passada, os combates em Gaza continuam. Desde então, apenas um cessar-fogo foi estabelecido, durando uma semana.
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