Migração líquida ao Reino Unido atinge 906 mil em 2023, mas novas regras reduzem números em 2024

A migração líquida para o Reino Unido alcançou um recorde histórico de 906 mil pessoas no período de 12 meses até junho de 2023, de acordo com dados divulgados pelo Escritório Nacional de Estatísticas (ONS). Este número, revisado para cima em relação à estimativa anterior de 740 mil, representa níveis inéditos desde 2021.

No entanto, medidas mais rígidas para concessão de vistos começaram a reduzir o fluxo de novos imigrantes. Segundo o ONS, a migração líquida caiu 20%, para 728 mil no ano encerrado em junho de 2024, impulsionada pela diminuição no número de dependentes acompanhando portadores de vistos de estudo, uma mudança promovida pelas novas regras.

A chegada de um grande número de imigrantes tem provocado preocupação entre eleitores britânicos, que temem impactos negativos na já precária oferta de moradias e na sobrecarga dos serviços públicos. Por outro lado, setores como o de saúde alertam que dependem desses trabalhadores estrangeiros para continuar operando.

A migração legal em níveis elevados também foi uma das razões que levaram o Reino Unido a votar pela saída da União Europeia em 2016. Naquele ano, encerrado em junho, a migração líquida era de 321 mil.

Após o Brexit, as mudanças nas regras de vistos resultaram em uma queda acentuada no número de migrantes da UE, mas impulsionaram um aumento nas entradas de trabalhadores provenientes de países como Índia, Nigéria e Paquistão, principalmente para ocupar vagas nos setores de saúde e assistência social.

O aumento recorde de 2023 ocorreu sob o governo conservador, que havia prometido reduzir a migração. Apesar das medidas restritivas, como o bloqueio a estudantes e trabalhadores de assistência social que trouxessem familiares, os números continuaram elevados.

Desde julho de 2024, sob o comando do Partido Trabalhista, o governo afirma buscar conter a migração ao investir na capacitação de trabalhadores locais para suprir lacunas de habilidades. As autoridades trabalhistas atribuíram o crescimento histórico ao governo anterior.

A ministra da Migração, Seema Malhotra, declarou que o governo está determinado a garantir punições severas para aqueles que abusarem do sistema de imigração. “Empregadores que violarem as regras ou explorarem trabalhadores internacionais não poderão mais escapar das consequências. Devem cumprir os custos que sempre deveriam ter assumido, caso escolham não recrutar trabalhadores locais”, afirmou.

Comentários