Míssil russo impulsiona venda de bunkers nos EUA

O lançamento do míssil hipersônico Oreshnik, pela Rússia, em 21 de novembro, provocou um aumento significativo na busca por bunkers nos Estados Unidos, segundo Ron Hubbard, CEO da Atlas Survival Shelters, maior fabricante mundial de abrigos contra bombardeios, localizada no Texas. A empresa reportou um aumento de 400% nas consultas em um único dia, com pedidos que variam de US$ 20 mil (R$ 100 mil) a até milhões de dólares.

O Oreshnik foi usado pela primeira vez em combate para atacar uma instalação militar na cidade de Dnepr, Ucrânia, e é capaz de carregar ogivas nucleares ou convencionais, atingindo velocidades dez vezes superiores à do som. Vladimir Putin justificou o uso do armamento como resposta à permissão dada pelos EUA e seus aliados para que a Ucrânia empregasse mísseis em ataques de longo alcance contra território russo. "Sistemas de defesa ocidentais não conseguem interceptar tais mísseis. É impossível", declarou o presidente russo em rede nacional.

Hubbard revelou ao The Independent que, após o ataque, quatro clientes fecharam negócios em 24 horas, enquanto outros pediram reforços adicionais para seus abrigos. Em dias normais, a empresa vende cerca de um abrigo por dia. O modelo médio custa US$ 500 mil (R$ 2,5 milhões) e promete resistir a cenários de furacões, tornados, pandemias e até erupções vulcânicas, embora seja improvável que proteja contra mísseis hipersônicos como o Oreshnik.

Antes mesmo do ataque, eventos como a pandemia de Covid-19 e conflitos como a guerra entre Rússia e Ucrânia e o embate entre Israel e Hamas já haviam aquecido o mercado de abrigos. Segundo dados do setor, o mercado de bunkers nos EUA, avaliado em US$ 137 milhões (R$ 686 milhões) em 2022, deve atingir US$ 175 milhões (R$ 875 milhões) até 2030, impulsionado pelo medo crescente de ataques nucleares, terrorismo e instabilidade civil.

Especialistas apontam, no entanto, que o alcance do Oreshnik, classificado como míssil balístico de alcance intermediário, limita seu uso a alvos no oeste dos EUA, tornando improvável um ataque direto ao país, mesmo em cenários de guerra total.

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