Ao refletir sobre a “Questão Palestina”, é fundamental identificar os verdadeiros e principais elementos dessa discussão. Acredito que a maioria das pessoas racionais e informadas concordaria que é moralmente errado que uma potência estrangeira expulse forçadamente um povo de sua terra ancestral e transfira essa região para outro grupo.
Porém, não me refiro às forças aliadas vitoriosas da Segunda Guerra Mundial e aos eventos que culminaram em 14 de maio de 1948, com a reconstituição do Estado de Israel; falo dos romanos, no ano de 135 d.C., quando expulsaram os judeus da Judeia, sua terra ancestral, e deram o território, então nomeado Palestina-Síria, aos filisteus, que já eram inimigos declarados.
A apropriação de terras no Oriente Médio tem uma longa tradição, sem um povo absolutamente justo e outro inteiramente culpado. As origens históricas são importantes, mas o passar do tempo também deve ser considerado.
Desde os tempos de Abraão, os judeus antecedem os árabes e os muçulmanos na região em cerca de 2.600 anos. É de conhecimento comum que a mesquita de Jerusalém é considerada pelos fiéis islâmicos como o “3º lugar mais sagrado”, sendo uma das principais razões para a impossibilidade de entregarem a cidade aos judeus. Entretanto, deve-se mencionar que a fundação dessa mesquita está, literalmente, erguida sobre os vestígios do Primeiro Templo Judeu.
A reivindicação palestina baseia-se em mais de 1.900 anos de história, mas, se considerarmos o contexto histórico como medida, é inegável que a ocupação judaica precede a palestina.
Apesar dos quase esforços coletivos da humanidade, os judeus continuam vivos e preservando sua identidade. De fato, enquanto nos aproximamos do ano 5784 do cálculo judaico, em 2024 d.C., a população judaica finalmente se recuperou da devastadora perda de mais de seis milhões de vidas durante o Holocausto da Segunda Guerra Mundial, que representou cerca de 40% do total da população judaica. No entanto, esse número é uma visão simplista—em 1933, 15,3 milhões de judeus representavam aproximadamente 0,5% da população mundial. Hoje, com 15,8 milhões, essa porcentagem corresponde a apenas 0,2%, demonstrando que o impacto do Holocausto ainda ressoa, reduzindo a presença judaica em 60% em relação ao total da humanidade.
Esse pequeno grupo de 0,2% da população mundial, composto por 15,8 milhões de pessoas em um mundo de mais de 8 bilhões, conseguiu conquistar 22% dos prêmios Nobel desde sua criação em 1901.
Os palestinos estão traumatizados, sofrendo e sentindo-se injustiçados? Sem dúvidas. Se alguma vez houve uma situação que exemplifique o ditado “Pessoas feridas ferem pessoas”, é a do Oriente Médio, hoje, em um contexto abrangente.
Quando um povo que busca liberdade e soberania pode ter um Estado-nação próprio, livre de ameaças, começa a se curar aos poucos. Os judeus, principalmente aqueles que sobrevivem ao Holocausto europeu, nunca tiveram essa oportunidade. Em 1948, foram imediatamente atacados e desde então nunca estiveram em segurança; quando um lado está em perigo, todos estão em perigo.
O mundo, pelo menos, deveria parar de alimentar essa chama—deixar de enviar armas que fazem o pior trabalho imaginável. Talvez, se a América e o Irã, que também desempenham um papel na alimentação desse conflito, fossem responsabilizados pelos danos causados pelas balas que enviam, talvez deixassem de enviá-las.
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