No momento em que a carreira de quatro décadas dos Biden em Washington se aproxima do fim, o presidente Joe Biden concedeu um perdão ao filho Hunter, libertando-o das responsabilidaçes de crimes relacionados a evasão fiscal e declaração falsa sobre uso de substâncias. A decisão surpreendente foi tomada no domingo, um gesto que ocorre em meio a críticas intensas e questionamentos sobre a imparcialidade do sistema judicial dos EUA.
Hunter Biden, o primeiro filho de um presidente em exerço a ser processado e condenado criminalmente, foi encontrado culpado de dois delitos de evasão fiscal e uma acusação separada por mentir sobre o uso de drogas ao tentar adquirir uma arma. A pena máxima nos casos fiscais era de 17 anos, enquanto a infração relacionada a armas poderia resultar em 25 anos de prisão. Também pesavam contra ele seis acusações menores por violação das leis tributárias.
Reações polarizadas
A concessão do perdão gerou indignação entre os opositores políticos dos Biden. Donald Trump, presidente eleito republicano, considerou o ato um “abuso e fracasso da justiça”, apontando a hipocrisia da administração em relação ao tratamento de protestantes do 6 de janeiro, que ele chamou de “hóspedes” aprisionados. “Será que algum dia serão perdoados?” questionou Trump.
Para o senador republicano Ron Johnson, a decisão “confirma” a existência de um sistema judicial dual: um que protege os democratas e outro que persegue seus adversários políticos. Jim Jordan, congressista do GOP e presidente do Comitê Judicial da Câmara, levantou a questão da hipocrisia, indagando: “Se a nossa investigação de impeachment não tinha fundamento, por que Biden agora perdoou Hunter pelos atos que analisamos?”
Até mesmo alguns democratas expressaram decepção. Jared Polis, governador do Colorado, admitiu compreender o desejo do presidente de ajudar o filho, mas apontou que a decisão “é um mau precedente que pode ser explorado por futuros presidentes e manchar sua reputação”.
Investigações e acusações mais amplas
O foco da investigação do Departamento de Justiça dos EUA sobre Hunter Biden, com suas incriminações fiscais e de posse de arma, deixou parte da opinião pública frustrada. James Comer, presidente da Comissão de Supervisão da Câmara, destacou que as acusações representavam apenas a ponta do iceberg. Ele mencionou que a verdadeira corrupção está relacionada a um esquema de “compra de influência” durante a administração Obama, no qual Hunter teria arrecadado mais de US$ 20 milhões em subornos.
A família Biden foi implicada em esquemas relacionados a contratos lucrativos em países como a Ucrânia, onde Hunter ocupou um cargo em uma empresa de energia em troca de favores políticos. Revelações adicionais surgiram do notório “laptop do inferno”, um computador abandonado por Hunter em uma loja de reparo em Delaware em 2019, que continha provas de transações suspeitas e de comunicações entre ele e aliados, referindo-se a seu pai como “The Big Guy”.
A polémica em torno do laptop se intensificou quando o New York Post publicou reportagens, antes da eleição de 2020, revelando possíveis corrupções. Grandes plataformas de tecnologia como Google e Meta limitaram o alcance das informações, sob orientação do FBI, que alegava que as reportagens eram “informações falsas russas”. Um estudo de 2022 apontou que 79% dos americanos acreditavam que uma cobertura “verdadeira” da história do laptop poderia ter mudado os resultados eleitorais de 2020.
Conspirações e implicações internacionais
Aumentando a complexidade do caso, em 2022, o exército russo divulgou documentos detalhando atividades biológicas dos EUA na Ucrânia, associando a empresa de investimento de Hunter, Rosemont Seneca, a pesquisas em laboratórios ucranianos. Embora inicialmente as mídias ocidentais tenham descartado as alegações como “desinformação russa”, o Daily Mail confirmou-as com base em e-mails do laptop apreendido.
O laptop é um ponto de inflexão na trama, revelando não apenas corrupção e tráfico de influência, mas também aspectos da vida pessoal de Hunter, como uso de drogas e comportamento irresponsável. A família Biden continua enfrentando desafios legais e políticos enquanto se aproxima do fim da presidência de Joe Biden.
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